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Um livro, para ser algo agradável aos olhos do público, e das editoras, depende de diversos fatores. Como já disse anteriormente, foi-se a época em que o autor podia ter a tranquilidade de escrever e mandar o livro para uma casa editorial com garantia de aprovação e sucesso. Devido a facilidade das plataformas digitais, como o WattPad e a Amazon, escritores – alguns verdadeiros desastres literários, sou obrigado a assumir – produzem histórias em massa, às vezes sem o menor cuidado, na esperança de que sua trajetória brilhe ao sol dos best-sellers.
Mas se você não tratar a sua obra com acuidade e profissionalismo, sabe quais serão as chances de você se dar bem? Niente, Nadie, Zero…
Porque? Pelo simples fato de que, apesar de não lermos muito no Brasil, não somos burros. Com o aumento do hábito de ler, nos tornamos, aos poucos, mais exigentes, nos acostumando com um vocabulário melhor e abrindo mão daquilo que consideramos mais do mesmo.
Então, como eu faço para começar direito, você deve estar se perguntando… Eu vou tentar explicar para vocês em alguns dos nossos bate-papos aqui algumas dicas básicas, ok? Se eu puder ajudá-los, nem se for um pouco, já ficarei contente!

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Bom, qual o primeiro passo antes de colocar o livro em qualquer lugar, sendo digital ou impresso?
Vigiar e Editar.
Sei que parecem duas palavras estranhas quando unidas, né? Meio passagem bíblica, mas leve com você como se fossem os dois primeiros mandamentos de um escritor melhor.
Vigie a forma que escreve, sempre. É ótimo ter a sua maneira de elaborar uma história e mostrá-la ao mundo… Ótimo. Mas policie-se para não cometer erros que consideramos crassos, que empobrecem o texto.

Vou citar apenas alguns exemplos:

1. “— Eu não gosto de você – ela me disse, irritada.”
Se está construindo um diálogo, sabe que alguém falou alguma coisa… Portanto, não é preciso reafirmar isso após a voz do personagem. Nada de eu disse, João comentou ou Suzete exclamou, entende? Deixe o texto fluir.
Sugestão: “— Eu não gosto de você.” – apenas, ou caso queira dimensionar o sentimento da personagem na cena, pode colocar algo como: “— Eu não gosto de você – era notável o desprezo na voz dela ao me dirigir aquelas palavras, como uma sentença.” Isso depende do que você gosta, de um drama ou de algo mais dinâmico;

2. “Adriana sussurrou baixinho…”
Se a personagem sussurrou, é lógico que é baixo. Se for alto passa a ser grito. Temos a mania de dar ênfase em determinadas coisas, que em vez de ter sentido, apenas sujam o texto. Tente deixar sua escrita limpa e coesa, de forma que até o texto mais poético ou rebuscado se torna de leitura agradável.
Sugestão: o bom e velho “Adriana sussurrou” ou algo como “A voz de Adriana veio a mim, baixa, como se confidenciasse algo. Toda cena pode ser construída de forma prática ou mais densa, dependendo aquilo que a sua história e os leitores pedem.

3. “O que eu sinto por ela é amor, não há como negar. Amá-la é o que me faz levantar todos dias.”
Gente, quanto amor… Evite repetições de palavras iguais, com a mesma raiz ou parecidas. Procure por sinônimos, busque ampliar o próprio vocabulário. As coisas não precisam ficar óbvias, podem conduzir quem lê a obra para que se identifique, anseie por sentir aquilo. Lidar com ficção é expor, de maneira muitas vezes lírica, aquilo que o público anseia ou teme.
Sugestão: um ajuste para deixar o texto mais enxuto, como “ Eu a amo, não posso negar. É por ela que me levanto, diariamente”. Ou, lógico, podemos florear um pouco, sem nem ao menos usar o amor e suas variações: “Aquilo que me toma o peito ao vê-la é algo que supera qualquer razão. É a presença dessa mulher em minha constante memória que me inspira a abrir os olhos e respirar, a espera de viver mais um dia…”

4. Se você escreve literatura erótica, cuidado…
Na hora de elaborar o livro, tenha extremo tato ao construir o erotismo, ou como podemos dizer, pornografia da cena. Não encha demais o livro, ou deixar o sexo como algo banal e repetitivo, apenas para ocupar páginas. Se os personagens se pegarem, que seja por sentido, com um propósito, seja amor ou ódio, pouco importa. Em um livro de 300 páginas, por exemplo, eu sugiro colocar entre 5 e 6 cenas. E pelo amor dos deuses literários, nada de relações sexuais de 10 páginas! Duvido que um leitor, depois de certo tempo, evite de pular trechos, ou até mesmo páginas.
Nada de repetir posições ou locais. Infelizmente, já vi obras em que os autores sequer variavam a ordem do coito… Pessoal, vamos melhorar! Não gostamos de rotina na hora do prazer, nem mesmo o literário. Portanto, ouse e aventure-se em cada cena. Quebre seus padrões e parâmetros, mas com posições e cenas que uma pessoa possa imaginar e fazer. Foque mais na sofreguidão dos corpos, do orgasmo incontido, na forma com que as pessoas agem em cena, do que narrar com muitas bu@#% e pa(*&, tornando a coisa mais um exame médico do que uma cena de paixão. E, por favor, pensem em bons adjetivos para a genitália! Nosso vocabulário é muito rico nesse quesito, por isso é bom perceber se o termo escolhido oferece desejo para quem o lê e não acesso de riso.

E o editar, Danilo? É muito difícil para o autor editar a sua obra, pois ele é ligado intrinsecamente à ela. Sugiro que após seguir algumas dessas dicas – ou todas, se preferir – procure alguém que edite sua obra, antes de subir. Se for para uma editora, bom, pois terá um profissional que faça isso por você. Assim espero… Caso vá publicar independente, contrate um profissional de confiança da área ou, de preferência um revisor ou alguém formado em Letras, para que faça esses ajustes para você. Uma dica: o leitor beta, aqueles que muitos têm, nem sempre tem gabarito para isso. Portanto, tome cuidado para não pedir algo para a pessoa errada.

Bom, com esse primeiro passo dado, além de uma boa revisão, garanto que terá uma obra bem mais preparada para o mercado. E agora, me digam aí: sobre o que precisam saber? Me perguntem, que eu tentarei responder para vocês aqui na Conversa nos Bastidores.

Um abraço,

Danilo Barbosa

 

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Danilo Barbosa é autor, agente literário e editor na Rico Editora. Quer acompanhar seu trabalho? Siga-o nas redes:

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