“A Literatura é a válvula de escape de um mundo repleto de ódio, preconceito, traição e inevitáveis perdas.” Tales Niechkron

Vivemos a era da comunicação! Essa assertiva é tão verdadeira que chega a ser redundante. Entretanto, viver nesta era não nos dá a plenitude de contemplar todos nessa realidade. Neste cenário destaca-se uma miscelânea de personalidades, percepções, ideais e opiniões. Esse último ,por sinal, tem sido base de grandes discussões.

Já na década de 20, no inicio do século XX, a arte entra de forma incisiva na história nacional como instrumento que deu voz ao povo e de lá pra cá, cada vez mais vemos a necessidade de escancarar esse instrumento aos quatro cantos do país. Agora, em pleno século XXI, vivemos o boom das opiniões alavancadas pela “verdade absoluta”.

Outrora, divergir em opinião era sinal de uma conversa saudável entre duas pessoas do mesmo círculo social, atualmente, divergir é sinal de ofensa e perseguição. E nesse contexto a arte, principalmente da literatura, abre as janelas da liberdade. Tanto autores quanto leitores têm oportunidade de falar e mergulhar num universo paralelo que traz luz a dias tão obscuros por percepções que vão aquém da verdade.

Por falar em verdade, segundo o dicionário Aurélio, a palavra significa “Conformidade da ideia com o objeto, do dito com o feito, do discurso com a realidade”. Ainda dentro dos significados, segundo a mesma fonte, realidade é “qualidade daquilo que é real”. Ambas as palavras pesam em muitos discursos carregados de verdades próprias e realidades oriundas de pontos de vista questionáveis.

Afinal: quem detém a verdade? Todos e ninguém, ela é pessoal. Qual é a nossa realidade? Própria do ponto de vista vivenciado. Minha avó falava um ditado que carrego comigo pela vida, ela dizia assim: “meu filho, só quem sabe a quentura da panela, é a colher que mexe”.

Todo esse aparato textual acima pode ser enfadonho e até mesmo assustador, contudo, infelizmente é a nossa realidade nacional. E esse é o papel que nós, artistas da literatura, ansiamos por desempenhar de forma leve e prazerosa. Há 97 anos, Oswald de Andrade  e companhia rompiam com a arte acadêmica e davam início ao Movimento Modernista no Brasil.

Retroceder o pensamento agora é lançar ao lixo um capítulo importante da nossa cultura. É apagar quase um século de história arraigado de quebra de paradoxos. É calar a voz daqueles que já não estão entre nós, mas escreveram seus nomes nos anais da história.

Por muito tantos outros motivos, grandes vozes foram caladas na história antes de serem registradas e, com tristeza, sabemos que nunca teremos o prazer de compartilhar das suas ideias e experiências próprias e únicas. Hoje temos a oportunidade de não deixar que nossa voz seja silenciada na posteridade. É a chance de levarmos um alívio através das letras para dezenas, centenas, quiçá milhares de mentes assoberbadas, necessitando de um afago na alma.

Não seremos nós as resoluções dos problemas dos outros, somos nós aqueles que podem e devem propiciar um lampejo de alegria, nem que seja por uma fração de segundos, mas que seja real e que seja sincero.

Biografia:


Marlos Quintanilha é nascido em Itaboraí – RJ, formado em Administração e Pedagogia Cristã. Publicado nas editoras Andross, Rico, Porto da Lenha, Darda, Autores Independentes e Amazon. Idealizador do projeto Contos Coletivos, publicados semanalmente no blog Contos Coletivos e membro da ABERST.