coluna - Uma escritora entre quatro paredes - imagem

por Alice Maulaz

O processo de criação literária de um escritor é algo único, portanto eu não poderia nem de longe criar uma receita. Seria até um tanto presunçoso da minha parte, apesar de muitas vezes ver coisas em comum entre os processos dos escritores. O ato de escrever em si é uma arte. Escrever é libertador e também terapêutico. É também ter a oportunidade de mostrar como vemos as coisas que nos rodeiam do nosso jeito. É encarar a realidade de uma folha em branco estar te desafiando constantemente para transformá-la em um mundo até então desconhecido imerso entre tantas palavras. Palavras poderosas que podem cativar lágrimas, risos e decepções em todos nós. Indo um pouco mais a fundo desta percepção, quantas vezes palavras afetaram nossas vidas e ainda afetam?

Inúmeras vezes, eu também pensei aqui.

Muitas dessas vezes metemos os pés pelas mãos… tentando definir sentimentos através das palavras e falhamos, tanto como escritores quanto seres humanos. Mais ainda, quando escrevemos uma história tentamos encontrar nossa própria singularidade e gosto também de me questionar sobre isso, lembro-me de como a escritora Cláudia Lage comenta em uma entrevista no jornal à respeito do que exatamente cria esta singularidade entre os grandes nomes da literatura.

Sobre o meu processo, em especial, o silêncio aconchegante entre quatro paredes é o espaço ideal para criação. Já sobre os gêneros literários, o conto e a poesia são os que mais me identifico. O autor precisa ser conciso e selecionar cada estrutura e o vocabulário com muito zelo ao escrever um conto, já que cada linha é extremamente importante para o enredo. Este zelo é triplicado quando estamos diante da construção de um poema, onde também entram outros aspectos essenciais como métrica dominante e rimas, por exemplo.

Um autor que gosto de estudar e disserta sobre a poesia com muito carinho é o Edgar A. Poe. Em um trecho específico, ele descreve a poesia de um ângulo autêntico: ”Para mim, a poesia não tem sido uma finalidade, mas uma paixão; e as paixões deveriam merecer reverência; não devem, nem podem, ser excitadas à vontade, com vista às mesquinhas compensações, ou aos louvores, ainda mais mesquinhos, da humanidade.”

Sim, poesia é paixão. É uma dessas paixões que talvez seja a tão sonhada solução para viajar o mundo sem sair de onde está.

                                                                                                                                                 bio Eu leio Brasil - Alice                                     

 

Alice Maulaz é escritora, professora, tradutora e wanderlust. Apaixonada por idiomas e viagens, escreve desde os 10 anos de idade sobre o seu próprio país das maravilhas.