“Escreve, se puderes, coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua-de-mel de um gafanhoto e tão verdadeiras como o simples coração de uma criança.”

Ernest Hemingway

Por A. T. Sergio

Definimos que a origem dos textos envolve o acúmulo de experiências pessoais do autor, de seu universo íntimo e da relação desses com a percepção dos leitores em contato com a escrita. Podemos então afirmar que o autor, através de seu processo catártico, pode ser identificado pelos seus escritos, pela temática sobre a qual escreve ou mesmo pela forma final de seus textos?

Viajar por gêneros diversos é algo que instiga a criatividade do escritor e muitos o fazem para manter o lado criativo da mente em funcionamento, evitando bloqueios. Os temas se distanciam e a forma de linguagem utilizada precisa ser adaptada ao tipo de público, contexto da obra, percepção de mercado por parte dos editores especializados, quase sempre em detrimento do estilo cru do autor. Somado a isso, o texto inicial, nascido após um longo tempo de estudo e trabalho, passa ainda por inúmeras fases de amoldamento, culminando na diagramação final para publicação. Durante todo o processo, alterações são efetuadas tanto para dar fluidez à leitura quanto para deixar mais palatável o resultado final, transformando o primeiro esboço em algo que muitas vezes mantém apenas a estrutura criativa da ideia. Mesmo que o autor seja participativo em todo o processo, a cada passo as modificações alteram o formato, deixando uma parte da alma do texto para trás. É possível viajar por terror, suspense, fantasia, literatura policial e outros temas, escrevendo de maneira livre, aventurando-se a produzir obras com a mesma origem imaginativa, mas com entrega final absolutamente díspar.

No entanto, o autor, que olha para sua escrita com o mesmo amor que tem para com seus leitores, sabe que dosar essas adaptações é essencial para não perder estilo e não se distanciar das expectativas dos que seguem e admiram seu trabalho. Os poucos que conseguem entender esse mecanismo são identificados pela concatenação de palavras com suas ideias, criando histórias que apaixonam e realmente cativam. E independente de todo trabalho posterior ao nascimento do texto, sua essência permanece presente em detalhes que são sentidos e captados por aqueles que como ele se entregam à experiência de mergulhar sem amarras no desconhecido.

Na próxima coluna iremos continuar a exploração da criação de textos, partindo de uma ideia sobre como gerar suspense em uma narrativa de forma a prender a atenção do leitor.

Vamos juntos?

Biografia:

Escritor pernambucano, romancista, organizador e participante de antologias nos gêneros terror/suspense/mistério/policial.

Entre seus trabalhos mais recentes há contos de terror em antologias das editoras Luva, Rouxinol, Lendari, Rico, Delirium, Constelação, além de obras independentes publicadas diretamente na Amazon.

Conselheiro da ABERST (Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror).