por Janaina Rico

É muito louco imaginar como surgiu a campanha Eu leio Brasil. Lá pelos meados de 2012 eu estava lançando a segunda edição do meu primeiro livro, o Ser Clara. E tinha encontrado uma casa editorial bacana para ele, com publicação tradicional e uma relativa divulgação. Mas, logo notei que não havia espaço ara distribuição do meu livro. Ou seja, as livrarias simplesmente não queriam aceitá-lo. Por algum motivo que eu ainda não sabia qual era, as portas estavam sempre fechadas para o meu título, por mais que ele tivesse uma capa bem bonita, uma impressão primorosa e não deixasse nada a dever para livro algum.

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Janaina Rico lançando Ser Clara em Salvador

Comecei a prestar atenção com mais afinco ao mercado editorial. E fui fazer pesquisas, incluindo entrar em livrarias por todo o país, nessa época eu viajei quase o Brasil todo no lançamento do livro, perguntando onde ficavam os livros nacionais. E eles eram divididos em dois tipos de livros: os clássicos, como Machado e Clarice; ou os de receitas da Ana Maria Braga e Faustão. Um fenômeno de livros religiosos vinha crescendo, em especial do Padre Marcelo Rossi mas ainda não era como hoje. E nada mais.
Logo chegou uma Bienal e entrei em estande de editoras grandes e elas simplesmente não publicavam livro nacional. Lembro-me muito bem de entrar na Intrínseca e perguntar onde estavam os livros brasileiros e a vendedora me falar “não temos”. Uma vergonha, não?
E eu resolvi que isso não poderia ficar assim. Em uma conversa acalorada com as escritoras Josy Stoque e Vanessa Bosso, pelo twitter, decidimos que deveríamos fazer algo para mudar o quadro. A Amazon começava a fincar os pés aqui no Brasil e pela primeira vez teríamos oportunidades de igual para igual com o estrangeiros. Eu criei a campanha Eu leio Brasil, a Josy criou a Semana do Livro Nacional. E a Vanessa se tornou a primeira best-seller brasileira na Amazon.

download     Campanha criada por Josy Stoque
           para aumentar a visibilidade da literatura nacional.

Comecei a fazer tanta coisa pela divulgação dos livros brasileiros que teve gente torcendo o nariz para mim. Fizemos alguns twitaços e conseguimos chegar com a tag #EuLeioBrasil entre os twites mais comentados do mundo. Realizei uma exposição de livros brasileiros contemporâneos em um dos maiores shoppings de Brasília – e eles pagaram por isso. Foram eventos, palestras, cursos, revistas… E a campanha não para de crescer. Recentemente adquirimos um selo editoral na Rico Editora, com o objetivo de descobrir novos talentos, pois não resta dúvidas de que o povo brasileiro é um dos mais criativos do mundo.
Ainda estamos muito longe de alcançar um pé de igualdade entre livros nacionais e estrangeiros. Livros que chegam de fora logo ocupam as listas de mais vendidos, destaque em livrarias, resenhas de jornais. Nós, escritores brasileiros, temos que matar um leão por dia para conseguirmos um lugarzinho ao sol nessa selva chamada mercado editorial. Mas fico muito feliz quando vejo a minha parcela de responsabilidade ao ver grandes escritores brasileiros hoje em dia fazendo sucesso, como Mauricio Gomyde, Paula Pimenta, Carina Rissi. Ah, e só para constar, todos eles já passaram por aqui, pela nossa linda campanha Eu leio Brasil.

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                    Capas prévias da Revista Eu Leio Brasil com Paula Pimenta e                                                           Maurício Gomyde

Não deixe de usar a tag, não deixe de prestigiar, não deixe de divulgar. Juntos conseguiremos levar a nossa cultura muito mais longe!

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Janaina Rico é fundadora da campanha Eu Leio Brasil, autora dos best-sellers Um Doce De Confeiteiro e Ser Clara e Editora-Chefe da Rico Editora. Quer conhecer mais de seu trabalho? Acesse seu site: http://www.janainarico.com.br/site3/