por Luisa Aranha

Ás vezes eu me pego pensando qual o problema da humanidade com sexo. Ou com a falta dele. Porque me parece que as pessoas se incomodam com ambos. Na literatura então, existem leitores e escritores com diferentes posições sobre o assunto. 

Já viu aquele livro que o casal se beija pela primeira vez despertando um desejo ardente, todas as sensações e emoções que dão a entender que eles vão rolar no capim e transar apaixonadamente a luz da lua e… Pá! No dia seguinte eles tomam café da manhã e a gente nem fica sabendo se realmente valeu a pena aquele romance todo…  Porque vamos lá… Se você for uma pessoa normal e bem resolvida, por mais apaixonada que esteja, se o sexo não for bom, quais as chances daquela história realmente se desenrolar? ( E eu espero que a sua resposta tenha sido “nenhuma” e, caso não seja essa, me chama pra conversar… Ta na hora de você se libertar de alguns tabus!). 

Nós temos vários tipos de amor e compromissos na vida. Mas amor sem sexo, é amizade. Amor sem sexo é maternal, fraternal, paternal… familiar…  Amor conjugal é difícil rolar ou durar sem sexo… E faço um desafio a você leitor: se conseguir dizer cinco casais que vivem sem sexo há pelo menos cinco anos — e não transam com outras pessoas também —, mudo minha teoria e escrevo um livro sobre esses casais! (É uma aposta!)

Temos também aquele tipo de livro onde a narração da cena de sexo é cheia de eufemismos, analogias e equivalências apenas para não usar as palavras boceta, pau e outras que, por algum motivo inexplicável, as pessoas ficam vermelhas ao pronunciar. E aí as pessoas passam a ter centros do prazer, flores no lugar das vaginas, membros no lugar dos pênis. E, amiguinhos, quero contar a vocês que quando eu falo em membro posso estar falando de braços, pernas, pênis ou quaisquer outros membros que existam no corpo humano.

Não existe nada de errado em usar as palavras que estão no dicionário — e até mesmo as gírias e apelidos usados — para falarmos de partes anatômicas do corpo ou sensações que são naturais aos estímulos que recebemos. Pessoas gozam, sabia?! Agora mesmo enquanto escrevo, milhares de nós devem estar tendo um orgasmos por aí! E olha que maravilha! Porque essas pessoas estão produzindo endorfina e oxitocina, dois hormônios que são responsáveis pelo alivio de dores e sensação de bem estar.

Fora os benefícios do sexo, comprovados cientificamente, como melhoria na qualidade do sono, redução do nível de estresse, alívio em crises de enxaqueca e dores de cabeça, redução de cólicas e sintomas da TPM e, o mais conhecido e clássico de todos… Sexo faz bem pra pele. 

Então o sexo existe nas nossas vidas. E traz benefícios. E todo mundo prática, praticou ou vai praticar em algum momento — a não ser que você resolva ser padre, freira ou viver no celibato por qualquer motivo que seja. Nesse caso, recomendo, pelo menos, experimentar antes. Só para ter certeza que está abrindo mão da coisa certa. —, então por que temos tantos problemas para falar sobre o assunto? Ou ler sobre ele?

Nossa sociedade foi construída em cima de tabus e preconceitos. Se formos estudar as antigas civilizações, o sexo, os prazeres, eram tratados com naturalidade. Nas obras de artes do período da Grécia antiga, por exemplo,  a homossexualidade é retratada em várias obras. Povos antigos andavam pelados, ou com algum tipo de proteção nos órgãos sexuais. PROTEÇÃO! Eles não estavam “escondendo”as suas partes. 

Mas aí evoluímos (ou não?) e começamos a ter vergonhas. A esconder o corpo, ver maldade no sexo. Mulheres passaram a ser queimadas por “enfeitiçar” os homens.  Passamos de uma sociedade onde o homem tinha a força bruta e a mulher a organização da vida familiar — um bom exemplo são as sociedades primitivas — para uma onde um gênero se tornou superior ao outro.  E o sexo? O sexo foi tornado pecado, imoral, sujo… O melhor exercício para a felicidade humana virou obsceno.  Claro! Pessoas infelizes são mais fáceis de doutrinar!

É uma luta constante todos os dias. Quem é mulher e já saiu da sua bolha, sabe. Revemos e reaprendemos os conceitos que foram incutidos em nós por essa sociedade onde homens ainda se acham superiores. A luta por direitos, que começou muito antes de nós, e da qual somos beneficiarias,  também é uma luta para que deixemos todos esses tabus de lado, e possamos apenas produzir, quando quisermos e com quem quisermos, os hormônios que nos fazem tão bem. 

Então por que não falarmos de sexo?  Por que deixarmos de fora da literatura contemporânea algo tão natural do nosso dia a dia? Quanto mais falamos sobre o assunto, mais desmistificamos esse tabu, mais aceitamos que o corpo do outro só diz respeito a ele e que cada um é livre pra buscar o seu prazer. 

E ai, você já (fez sexo ) leu algum livro hot hoje? 

Indicações de leitura (Todos bem hotzão pra inspirar o finde da galera):

Amor virtual

Três Formas de Amor

The Secret

Contos Secretos

Biografia:

Luisa Aranha

Luísa Aranha é jornalista, blogueira e escritora. Tem o chimarrão como seu companheiro inseparável nas horas de trabalho. Escrever para ela é tão natural quanto respirar. Antes de ser alfabetizada já era uma contadora de histórias, inventando brincadeiras e diálogos com suas bonecas. Todos os seus trabalhos podem ser conferidos no seu site: www.luisaaranha.com.br