O grande escritor de pulp fiction brasileiro


“Eu não vivo no mundo real. Habito um universo povoado por múmias, vampiros, vampiresas, lobisomens, monstros, seres vindos de regiões abissais ou do além, damas fatais, detetives particulares, mulheres misteriosas. Tenho por companhia quatro gatos e um corvo, com quem converso longamente. Em meu mundo, sempre é noite e as ruas são becos escuros e encobertos por um eterno nevoeiro. Em meu mundo, cada esquina esconde um mistério”

Rubens Francisco Luchetti

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Na literatura mundial, o genêro pulp fiction, ou também comumente conhecido por revista de emoção, teve início da década de 1900, em referência às revistas feitas com papel barato, fabricadas à partir da polpa de celulose. As pulps vieram para substituir as publicações anteriores: penny dreadfuls, folhetins e dime novels.  As pulp fictions eram um tipo de entretenimento rápido, sem grandes pretensões artísticas de sucesso, sem muito aprimoramento.

Embora muitos escritores respeitados escrevessem para as pulps, as tradicionais revistas acabaram ficando mais conhecidas por suas histórias sensacionalistas e capas bem mais apelativas. Os super-heróis das histórias em quadrinhos atuais, as HQ’s, também são considerados como derivações da literatura pulp.

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             Considerado pela crítica, como o grande escritor de pulp fiction do Brasil, um dos maiores ghost-writers do mundo, Rubens Franciso Luchetti, é autor de roteiros para TV, cinema e quadrinhos, em sua maioria nos gêneros: terror, policial e suspense. Em 1964, publicou sua primeira história em quadrinhos e escreveu inúmeras histórias para vários desenhistas de renome no Brasil: Nico Rosso, Eugênio Colonnese, Rodolfo Zalla, Julio Shimamoto, Sérgio Lima, José Menezes, Osvaldo Talo, Juarez Odilon, Wilson Fernandes, Sampa, Flávio Colin e Edmundo Rodrigues.

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            Segundo o escritor, antes mesmo de ter o conhecimento da palavra, ele já tinha predileção pelo fantástico. Por preferir o horror à realidade, Luchetti se classifica como um ficcionista. Apesar de autodidata e de não ter dado continuidade aos estudos convencionais, R.F. Luchetti, escreveu e publicou ao todo mais de 1.500 livros, mais de trezentas histórias em quadrinhos, 25 roteiros de filmes e centenas de programas de rádio e televisão e inúmeros contos para revistas pulp. Um de seus livros, Noite Diabólica, publicado em 1963, é considerado “o primeiro livro de Terror escrito no Brasil”.

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Em boa parte de suas obras, assinava com pseudônimos ou heterônimos, como: Theodore Field, Terence Gray, Mary Shelby, Peter L. Brady, Christine Gray, R. Bava, Isadora Highsmith, Helen Barton, Frank Luke, Brian Stockle e Vincent Lugosi. Sua parceria com o cineasta José Mojica Marins é também memorável. Com ele, fez inúmeros roteiros para o cinema e a TV, para o qual escreveu mais de vinte roteiros de longas-metragens e os scripts dos programas de tevê Além, Muito Além do Além e O Estranho Mundo de Zé do Caixão.  Por intermédio de Marins, conheceu, em 1977, o cineasta Ivan Cardoso, para quem escreveu os roteiros dos filmes O Segredo da Múmia, As Sete Vampiras, O Escorpião Escarlate e Um Lobisomem na Amazônia.

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Com o ilustrador, desenhista e quadrinhista Nico Rosso, criou diversas revistas em quadrinhos: A Cripta, O Estranho Mundo de Zé do Caixão, Zé do Caixão no Reino Terror, A Sombra, entre outras. Juntos, eles foram responsáveis pela renovação dos quadrinhos brasileiros de Horror. No final da década de 1960, criou três revistas pulp: Série Negra, Aventura e Mistério e Mistérios.

Sobre suas inspirações, o próprio Mestre Lucchetti diz que não leu muitos autores, mas que leu muito de poucos autores. Entre eles, destaca como seus preferidos: Knut Hamsun, Romain Rolland. Sigurd Christiansen, Dostoievski, Tchekhov, Moravia, Goethe, Stefan Zweig e de nossa literatura nacional, os grandes nomes de Machado de Assis e Monteiro Lobato. Os seriados de rádio também são fontes de inspiração para o autor, sendo seus preferidos: Dick Tracy, O Homem de Aço, O Homem-Pássaro e O Sombra. Ele conta que costumava transformá-los em novelas, como exercício de imaginação e aprendizado constante em sua arte. Segundo Luchetti: “Quando escrevo, mergulho em meu universo. Então, sou um Deus: crio e destruo; e o mundo real, o qual abomino, passa a não existir” e “Quando escrevo uma história, meu principal desejo é entreter o leitor, fazê-lo esquecer, ainda que por pouco tempo, os problemas do cotidiano.”

Mhorgana Alessandra

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Mhorgana Alessandra, é mineira, psicóloga e escritora. Diretora da Anima – Núcleo de Desenvolvimento Humano, ministra palestras e consultorias sobre diversos temas do comportamento humano. Casada, mãe de duas lindas meninas, participa como autora e organizadora em diversas antologias. É idealizadora do blog literário Literanima e membro do projeto A Arte do Terror e da Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (Aberst).