o jovem escritor de romances policiais, Raphael Montes,23, posa em sua casa. ele está lançando o livro " Dias Perfeitos"  pela  Editora Companhia das Letras. Foto Bel Pedrosa. Rio 31.1.2014

Foto: Bel Pedrosa

 

1) Quando eu era criança, meu sonho era ser mágico. Comecei a gostar de ilusionismo graças a um show do David Copperfield exibido na Rede Globo. Eu vivia de um lado para outro com um maço de cartas nas mãos para mostrar meus truques, buscando alguém para me dar uma moeda que eu faria sumir diante de seus olhos, etc. Não à toa, meu primeiro livro, escrito aos 15 anos, se chamava “Mera Ilusão” e contava a história de um mágico assassino. Nunca publicarei este livro.

2) Estudei o Fundamental e o Ensino Médio em uma escola só para meninos, o Colégio de São Bento, comandada por padres e bastante conhecida pela sua excelência e pelo rigor. Apesar de ter sido puxado, sou apaixonado pela instituição, que é até mencionada no último capítulo de “Dias Perfeitos”, meu segundo livro publicado.

3) Sou formado em Direito pela UERJ, mas sempre gostei mais da área de exatas. Amo matemática, enigmas lógicos e charadas em geral. Fui professor particular e dei aulas em um pré-vestibular comunitário ensinando matemática. Talvez por isso meu processo criativo seja tão organizado e calculado: gosto de fazer um esqueleto do livro com todas as viradas antes de começar a escrevê-lo.

4) Tenho algumas manias na hora de escrever. Antes de me sentar diante do computador, gosto de tomar um banho demorado porque já fico pensando nas cenas e nos personagens, imagino o diálogo em voz alta, como que representando os papéis. Ao começar, preciso de silêncio total e de muita, muita água. Para escrever as cenas mais tensas e fortes (principalmente as de assassinato), coloco uma música clássica para tocar bem alto.

5) Sou apaixonado por música brasileira e vários cantores nacionais são frequentemente mencionados nos meus livros. Gosto de vários ritmos, desde MPB até samba, axé e forró, que eu adoro dançar (e danço bem!). Dos estrangeiros, minha cantora favorita é Amy Winehouse. Não tenho o menor talento para a música. Apesar disso, adoro tocar instrumentos musicais. Desde os quinze anos, toco flauta doce, flauta transversa e saxofone alto.

6) Sempre me enxerguei mais como “contador de histórias” do que como “escritor”. Por isso, quando me chamaram para escrever roteiros, aceitei na mesma hora. Eu não tinha feito qualquer curso, aprendi na marra, tendo que cumprir prazo. Até o momento, trabalhei na série “Espinosa”, no GNT; na novela “A regra do jogo” e na série de terror, “Supermax”, que estreia em setembro na Rede Globo. Acho uma delícia escrever roteiros.

suicidas

7) “Suicidas”, meu primeiro suspense, foi pensado como filme. Desisti de fazer o roteiro e escrevi o livro, que acabou finalista de muitos prêmios e deu o pontapé inicial na minha carreira. Coincidentemente, Suicidas teve uma adaptação teatral este ano, com apresentações no Rio e em São Paulo, e deve virar filme no ano que vem. “Dias Perfeitos” e “O Vilarejo” também devem virar filmes em breve.

8) Adoro usar redes sociais para manter contato com meus leitores. Os booktubers e blogueiros literários foram essenciais na divulgação dos meus primeiros livros e sou muito grato a eles por isso. Faço questão de tentar responder os inboxs na página do Facebook (http://www.facebook.com/raphaelmonteswriter), no Twitter e no Instagram. Agora, quero me acostumar ao Snapchat. Vamos ver…

9) Todos os meus livros se relacionam entre si. Adoro colocar easter eggs nas histórias, personagens que já apareceram em um momento reaparecendo em outro, uma situação vista de outro ângulo e coisas assim. No meu próximo livro, que sai até o final do ano, uma situação bastante tensa de “Dias Perfeitos” é vista de outro ângulo bastante inusitado.

10) Amo animais (tenho dois bassets, Mel e Agatha Christie), meias coloridas, maracujá (se você me receber com um suco de maracujá, passo a te amar na mesma hora rs), comida tailandesa, jogar vôlei de praia, andar de bicicleta, jogos de tabuleiro e karaokê. Minhas maiores influências são Agatha Christie, Conan Doyle, Patricia Highsmith e Stephen King, e meu cineasta favorito é o Tarantino. Meu número da sorte é 22.

diasperfeitos

11) Todo mundo me dizia que “Dias Perfeitos” era um título muito ruim para o livro. Isso me atrapalhou bastante enquanto eu escrevia e cheguei a mudar a ideia original umas duas ou três vezes até chegar na versão que acabou publicada. Felizmente, segui minha intuição. Nos 12 países em que o livro saiu, o título foi mantido. Na Polônia, mudaram o título para “A garota na mala”.