Papo Reto - Eu Leio Brasil _ menor

Você sabe o que é privilégio?

Sabe o quanto é privilegiado por nascer branco? E mais privilegiado ainda se nascer em um berço de ouro? Ou mesmo que seja em uma família classe media?

Há muito tempo eu não tinha noção do privilégio que eu tinha até começar a entender como funciona nossa sociedade. No alto da minha ingenuidade, ainda na infância, eu mordi uma menina na escola por chamar a minha amiga negra de: macaca.

Eu não entendia que aquelas palavras eram reflexos do que aprendia em casa e ouvia dos pais, e eu não fazia ideia de que aquilo era tão racista. Minha defesa foi porque achava que ninguém deveria ser ofendido, em casa meus pais sempre me falaram que éramos iguais. Eles nunca precisaram de explicar o porquê eu não podia xingar as pessoas pela cor, pois, eu via a maneira amorosa que tratavam todos os seus amigos. Negros, brancos, pardos, índios.

Quando ao 11 anos vi um menino negro ser seguido dentro das Lojas Americanas eu cheguei na escola no outro dia e perguntei porque o segurança fazia aquilo se o menino não roubou nada.
Então, minha professora me explicou sobre: racismo.

Eu senti como se o mundo fosse um lugar ainda pior. Foi nesse mesmo ano já na 5* série q aprendia sobre escravidão. Então eu acordei para o que as pessoas realmente poderiam ser. Cruéis.

Ao longo do tempo eu fui aprendendo o quanto a cor de uma pessoa pode influenciar a vida dela, de maneiras boas e ruins, foi aí que aprendi sobre PRIVILÉGIOS.

Ainda que tenhamos pessoas que acham que racismo é mimimi, explico que se você nunca foi seguido dentro de uma loja, se você nunca foi o último a ser escolhido para grupos de trabalhos, se você nunca foi confundido com um meliante, se nunca precisou provar que era alguém como todos as outras, você já é privilegiado.

Se você não é morto pela sua cor, se você não é excluído, oprimido, agredido: você é privilegiado.

Se você é branco: é privilegiado.

Em uma semana que um Concurso Cultural voltado para negros sofreu tanta repressão a gente precisa falar sobre racismo.

No dia em que se comemora Zumbi dos Palmares e a Consciência Negra: a gente precisa falar que um Concurso Cultural Editorial para negros é um passo para a conscientização das pessoas de que precisamos entender que o Editorial precisa sim, de personagens e autores negros. Precisa de uma reforma, precisa de representatividade. E nós como seres humanos dessa nova geração, precisamos entender que não é sua cor que define se você é seu trabalhos são bons, o que define isso é seu carácter, seu coração e seu talento.

Deixo aqui um reportagem rápida e simples sobre a diferença social entre brancos e negros:

https://exame.abril.com.br/brasil/8-dados-que-mostram-o-abismo-social-entre-negros-e-brancos/#

E um vídeo sobre um experimento social sobre privilegios:

https://youtu.be/MuOE3IJZoZU

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Mai Passos é escritora. Acompanhe sua coluna. No instagram @maipassosg