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Por Maleno Maia

Por minha concepção, falar de Érico Veríssimo é apresentar um artista multifacetado dentro da literatura. Transcorrendo por vários segmentos, vou aprofundar o meu texto em sua obra de maior destaque: a saga “O tempo e o vento”. Eu não pretendo contar a história de sua vida e muito menos destacar a biografia, pois essas referências são fáceis de buscar em páginas e sites. Vou transferir o sentimento e a percepção que a obra me passou.

Sendo um autor pós-modernista, Érico apresentou uma escrita de libertação, influenciando imediatamente grande parte de autores contemporâneos; aliás, posso concluir que sua obra foi um dos ápices da contemporaneidade. Trazendo ainda as influências realistas, ele trabalhou esse estilo com vanguarda, tamanha a sua visão de mundo. O reflexo de referências históricas que ele trouxe foi crucial para o tom épico que a saga se caracterizou.

“O tempo e o vento” é divido em três partes: O Continente (2 tomos), O Retrato (2 tomos) e O Arquipélago (3 tomos), ou seja, são um total de 7 livros, e é necessário muito fôlego e energia para trafegar em uma série que conta mais de cento e cinquenta anos da história do Rio Grande do Sul. Contudo, a leitura vale muito a pena.  Sem dúvida alguma, Érico buscou informações precisas e imprescindíveis para sua saga, que levou mais de 10 anos para ser concluída. Diante do atraso da publicação de O Arquipélago, os editores tinham receio de que ele não o concluísse, devido aos problemas de saúde que o autor passou a enfrentar.

O título de cada parte é um adendo considerável. O Continente é ilustrado pela ocupação da região de São Pedro, reportando o início da exploração das terras e formação da família Terra-Cambará a partir de 1745. É um romance praticamente regionalista, destacando o meio rural. O Retrato já apresenta o início da urbanização do Rio Grande do Sul – tanto em O Continente quanto em O Retrato há o importante Sobrado, que configura como um grande telespectador dentro da narrativa extensa e épica. Durante esses dois volumes, Érico cita a Revolução Farroupilha e a Guerra do Paraguai, que tanto influenciaram na conduta das pessoas. Em O Arquipélago, como o próprio nome diz, temos uma metáfora da família que cresceu e se desmantelou, formando então vários arquipélagos; neste último volume chegamos à Era Vargas e o Estado Novo.

A saga de Érico contribuiu para o forte protagonismo dos personagens. Muito bem construídos, por sinal. Os homens eram daquele tipo “machão”, que confrontavam com as guerras, com a busca de sua honra; já as mulheres é que detinham o mérito de serem fortes por toda a saga, sendo antológicas, conservando a identidade da família.

Por fim, é uma leitura riquíssima, em uma linguagem culta e poética. É, definitivamente, a coleção que sustenta e impera a história do Rio Grande do Sul vista por outros parâmetros. Indiscutivelmente recomendável.

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Maleno Maia nasceu em Santo Anastácio, interior de São Paulo e atualmente mora em Presidente Prudente – SP. É professor licenciado em Química, poeta, contista, romancista e colunista do blog Literanima.