por Roberta Costa

A ansiedade é uma emoção bastante comum ao ser humano, porém, quando ela aparece em excesso, pode se configurar em distúrbio da ansiedade e causar prejuízos físicos e psicológicos em diferentes graus.

Quem sofre de ansiedade não está simplesmente nervoso ou inquieto por alguma coisa, a situação vai muito além: medo, preocupação intensa, taquicardia, sudorese, falta de ar, tremores, fraqueza, cansaço, dor no peito, náuseas, medo de perder o controle, de enlouquecer e até mesmo de morrer… a lista de sintomas é grande. O ansioso, em meio a uma crise, pode ter a impressão de que está sofrendo um ataque cardíaco e que irá morrer. A ansiedade está fortemente ligada à depressão, com uma podendo ser comorbidade da outra. Mas não para por aí, ela também pode levar ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo e à Síndrome do Pânico. Na medida em que as crises ocorrem e se intensificam, é comum que a pessoa pare de fazer atividades antes prazerosas para ela, que evite o contato social, que fique mais impaciente e irritadiça. Por quê? Porque a sensação de perda de controle e de morte iminente são sentimentos que se manifestam fortemente e de forma inesperada. O medo é uma constante para quem sofre dessa doença. Sim, é uma doença e deve ser tratada como tal: terapia e medicamentos ajudam no processo. Algo que também ajuda bastante, mas que infelizmente muitas vezes não vemos, é o famoso “apoio”.

Quando uma pessoa quebra a perna, você diz para que ela simplesmente se acalme, levante e sorria? Não, ao menos eu espero que não. A ansiedade não é algo que se pode ligar ou desligar, você não “escolhe” ser ou ficar ansioso, ela não avisa quando dará as caras, não existe hora nem lugar para que apareça, assim como também não requer, gênero, idade ou poder aquisitivo específicos para quem sofre desse mal.

A pessoa com ansiedade vive em uma constante montanha-russa de emoções, podendo levar dias para se recuperar de uma crise – que também varia bastante de tempo de duração – e, quando menos espera, já está nela novamente. Não minimize seus sintomas nem seu sofrimento, tente ajudá-la, demonstre compreensão e mantenha-se próximo. E é preciso admitir, auxiliar alguém em crise não é uma tarefa fácil, exige paciência, tato e empatia.

Alguém sofrendo de ansiedade não está preocupado que outras pessoas estejam piores que ela ou com a fome do mundo, lembre-se, não existe um botão de liga/desliga, por tanto, nada de soltar uma pérola do tipo “Se acalme, tem pessoas em situações bem piores que a sua.” Não busque resultados rápidos, cada um reage a seu próprio tempo, mostre apoio incondicional e trate a situação com naturalidade, se identificou algum gatilho emocional e puder tirá-la de perto da situação, faça isso. Mostre que você está ao seu lado. Tentar se concentrar na própria respiração e mudar o foco de atenção também ajudam bastante, lembre-a disso. Quando ela conseguir retomar o controle da situação, talvez seja a hora de falar sobre ajuda profissional. É muito importante que tudo seja tratado com naturalidade, sim, estou me repetindo, mas somente quem passa por essa situação é que sabe o quão difícil é e o quanto tudo piora quando é necessário lidar com pessoas preconceituosas e/ou que não entendem a gravidade da situação. Aquela história de “é frescura” e “quer chamar a atenção” aplica-se perfeitamente aqui.

Não julgue jamais e faça sua parte trabalhe para que os estigmas desapareçam ou, ao menos, diminuam. Acha que não consegue? Então se pregunte “E se fosse comigo? Como eu gostaria de ser tratado?”. Não seja aquele que derruba, o mundo já está cheio deles, seja mais, seja aquele que estende a mão e que caminha ao lado, sempre dando força. É possível que você ainda não tenha percebido quanta diferença pode fazer na vida de uma pessoa, pense nisso.

Sobre a autora:

Roberta Costa é psicóloga e cursa Letras. Nas horas vagas atua também como revisora. Manauara, mora na capital do Amazonas com sua filha. Viu na Literatura uma porta de entrada para novos mundos, novas vivências e, principalmente, novas amizades. Administra o Ig @livros.da.beta, voltado para a Literatura Nacional.