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por Humberto Lima

“Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação. ”

– Charles Chaplin

Chamada de sétima arte, o cinema é polemico desde seu nascimento como cinematógrafo nas mãos dos irmãos franceses Lumière e de George Méliès (pai da ficção cientifica) em 1895.

A primeira sala de cinema do mundo localizada na França, chamada de Eden, ainda existe, mas apenas em Paris o cinema começou, com boa divulgação e o filme La Sortie de l’usine Lumière à Lyon, que mostrava a saída dos funcionários da fábrica dos Lumière. A historia conta que nessas sessões as pessoas passavam mal, se levantavam e fugiam ao ver a aproximação de cavalos, marias fumaças e outras cenas que lhes maravilhavam e aterrorizavam!

Tirando a parte de fugir (não perco as cenas pós-crédito por nada nesse mundo), o cinema mantém sua capacidade de maravilhar e aterrorizar as pessoas a mais de cem anos.

Porém, quando nosso livro predileto, aquele que nos fez passar raiva, sono e até fome (quem nunca maratonou um livro o dia todo, não sabe do que estou falando), vai se transformar em filme, começamos a ficar apreensivos.

Será que vão fazer uma boa adaptação? (sempre passo por isso com os livros do Stephen King), o ator vai ser bom? A história será fiel ao livro?

Será que este vai ser um filme ruim ou será uma obra prima de arte?

Algumas pessoas menosprezam manifestações artísticas enquanto exaltam outras. Mas afinal o que é a Arte?

Na Europa do século XVIII, começou a classificação de Belas-artes, ou seja, artes preocupadas com a criação do belo, sem utilidade alguma além de representar a própria beleza, sendo colocadas na seguinte ordem: a música, a dança, a pintura, a escultura, a arquitetura, a poesia e o cinema.

(Ah, sim, outras artes, de maneira não oficial são consideradas Belas-Artes como afotografia (oitava), os quadrinhos (nona) e os games (décima).

O que é arte afinal? Tudo é arte!

E qual o papel da arte? É nos tocar, nos chocar, nos maravilhar!

O escritor é ele também um artista. Quando você lê um livro e se sente aterrorizado, quando lê um drama e chora, uma ficção e se indigna com ditadores espaciais, a arte prestou seu papel.

O problema é que o cinema utiliza linguagens e códigos diferentes da literatura, de maneira que muito do que é escrito e idealizamos, nos choca ou deprime quando vemos exposto em imagens. Desde a escolha da atriz ou ator para o papel de um personagem que não é como nós “vemos” até mudanças no roteiro para enxugar custos que nos desagradam.

A visão do Diretor é outro problema, de maneira egoísta nós nos apropriamos do “nosso livro” e o diretor também se apropriou da maneira dele. Tudo isso cria um conflito difícil de se superar.

E quando sabemos que o filme ficou maravilhoso? Quando é unânime! Assim como quando sabemos que o filme ficou muito ruim! A maior parte das pessoas detesta, pois somos criados dentro de um certo valor estético que é universal e a cultura é algo difícil de ser quebrada!

Ainda assim, dispa-se de seus pré-conceitos, assista ao filme e depois crie seu juízo de valor sobre ele!

Ah! E sem spoilers! Por que isso sim, é muita sacanagem! Hahaha

Pense nisso: pensar enlouquece.


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Humberto Lima é professor de Geografia e observador do mundo. Reside em São Paulo, capital na região da Zona Leste, tem um filho de 23 anos. Apaixonado por terror em filmes, seriados e livros. Amante de mitologia e estudante em tempo integral com áreas de interesse que abrangem do sobrenatural ao banal, do erudito ao pop. Participa em mais de 25 antologias em editoras diversas.