016

Neste exato minuto, eu só preciso escrever…
… E talvez, eu coma letras ou exagere nas vírgulas. Talvez, meus exageros atrapalhem o entendimento… E as reticências? Talvez, sejam exageros tímidos. Penso que minhas próprias palavras, às vezes, perdem a graça e o sabor. As palavras que me transportam para o porto de calmaria, também me deslocam para um beco isolado e sujo. Sinto meu coração apertado, como se o mundo estivesse comprimindo meus sentimentos. Pergunto-me se é errado sentir uma paixão tão grande assim e desejar matá-la. As coisas belas não merecem cultivo e carinho? As coisas belas devem ser eliminadas? Não sei responder. Contudo, não quero viver assim. Um dia existe esperança, noutro dia não há mais nada. Pela manhã eu rezo por nós dois e à tarde apago seu número. Quando a silenciosa noite se torna insuportável, ligo para nossa amiga em comum e peço seu número novamente. Estou quase decorando os números… Mas, quero que existam Letras entre nossos sentimentos.
Esse turbilhão de questões e devaneios me coloca na devida posição de poetisa. O que faço para suportar os dias vazios ou conturbados? Escrevo. E erro! Erro muito. Erro na composição dos detalhes quando estou focada no epicentro das emoções. Erro nas medidas quando me distraio com invenções, minutos inexistentes, respostas não ditas, perguntas hesitantes e momentos que não existiram. Traço planos e rotas diferentes. Compro a passagem, pesquiso seu bairro e ponho os pés para fora de casa. Paraliso! Volto atrás. Volto para o abrigo dos meus cadernos e livros. Volto para minha cama (aquela cama…). Volto para a ausência de palavras.
Sou escritora, sou amadora, sou apaixonada pela vida. A vida e todos seus dissabores. Cada um dos dias de Sol e cada gota da chuva. E minutos assim, onde a dor se mostra intensa, o que me resta é escrever.
Escrever, mesmo tensa,
Mesmo se não houver recompensa,
Além do alívio do corpo e alma,
Escrever como um furacão,
E, aos poucos, compor com calma…
… Ah, que delícia é viver! E essa paixão é mesmo bonita. Germinou o desejo de convívio. E se não se tornar “amor e vida longa”, ao menos, será um texto de alívio.

Flor, Priscila

28953899_360873007743631_7636899726587806711_o

“Flor, Priscila” Tem 23 anos de idade e escreve desde criança. É a idealizadora da FLICO – Feira Literária Colaborativa da cidade de Tatuí – SP e do Slam Tatu (1° slam de Tatuí). Lançou um livro de contos intitulado “A Marcha das Efêmeras” e um livro gratuito online de poesia chamado “Dilemas&Canções”. Lançou dois zines “Objeto Cidade” e o “Aquela Flor que escreve Priscila”.