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Costura. Mandinga feita sob o luar. Daqueles em que a cara da Lua nem cabe no sonho. Expande o furor pelo edredom. Costura. É a sutura fluídica da alma. É tapar as vazões das orações mais bonitas. Não se pode esvaziar tudo, é necessário guardar um frasco de sonho. Um dia um sapo chega. Um dia… Ou noite. Fusos horários! Todo dia é dia de costurar fuxicos, mexericos, delírios. Bambeio na rua, na sala de estar e não sei voltar. E morro sem que ninguém saiba.

Profissão: Costureira.

Linhas de lã grossa passam pelos dedos e formam os bicos, os desenhos, as tatuagens. É isso que sou na poltrona: uma manta de retalhos. Faço-me trabalhadora e trabalho. Faço-me montadora e montagem. Faço-me o ser que faz e o que é feito. O ar, rarefeito, invade o peito e enche-me de força. Pois, sou a mão que lava a louça, a água e o objeto a ser lavado. Assim, eu costuro estas maluquices. Inutilidades. Momento de coser. Alusão à particular escarva. Lavo estas folhas com a água do meu cabelo. Sutura. Eu, sendo a linha, a agulha, o tecido e a mão que costura.

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