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O Caos do João e o nosso

Ferreira Gullar, intrigado com a tela concretista excessivamente “fria” na parede da sala de João Cabral de Melo Neto ouviu dele a justificativa “Eu preciso botar ordem em algum lugar, porque minha cabeça é um Caos.”.

Caos: A desordem das coisas, o abismo entre o mundo imaterial e o mundo material, a fonte de todas as coisas vivas, mitologia grega diz que… Existem diversas definições para essa pequena palavra. Eu a vejo como um ambiente invisível de palavras presas. O que você e eu podemos ter em comum com Sr. João? Como a gente mascara o que desconhece? Como são os labirintos caóticos que o vendedor de pipoca cria em sua mente? E o Caos do porteiro do seu prédio? O seu médico deve ter uma mente turbulenta… Labirintos circulares? Retangulares? Caos e geometria podem coexistir? Creio que o Caos possa ter medidas exatas e aflorar como rabiscos de criança em lista telefônica. E, ao mesmo estranho tempo, creio que é um fluído invisível que desalinha pequenas ordens, gerando uma grande confusão a quilômetros de distância. O que eu e alguém que nasce neste exato minuto em Lisboa podemos ter em comum? Enfim, penso que todo mundo cultiva seu Caos particular. Que o Caos não é necessariamente um problema. Talvez, problemas possam surgir nas brechas da nossa atenção perante a inquietação do Caos (julgando ser uma força que balança nosso comodismo). Penso no Caos como uma criança marrenta. E, ás vezes, penso até como um idoso jogando truco na praça com seus amigos e bebendo cerveja à luz do finalzinho de tarde.

Permito-me pensar que o Caos possa ser meu amigo e seu também. Que isso não se estenda como um questionamento sem graça, mas que forme um olhar curioso sobre a visão do desconhecido e pouco explicado Caos. Pois, cientificamente, há dezenas de teses e teorias, mas essa dúvida é interessante. Imaginar é o que me interessa.

Algumas pessoas assinam contratos com o Caos. Casam-se com o Caos… Rejeitam-no a todo custo e vestem máscaras de papel enquanto a alma pesa como chumbo… Para João Cabral de Melo Neto, uma tela concretista era um placebo.

Eu escolhi a literatura para exalar o aroma embriagador do meu Caos.

E você? Como lida com o seu Caos?

 

Flor, Priscila

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