laura conrado

De sucesso do chick lit a fenômeno no Youtube, Laura Conrado é uma prova de que a escritora brasileira é criativa e multifacetada! Famosa pela divertidíssima série “Freud, Me Tira Dessa!”, a edição teen “Só Gosto de Cara Errado” e seu lançamento da Globo Livros, “Quando Saturno Voltar”, não tardou para que a mineira sentisse a conexão com o público transcender as páginas dos livros e emergir na vida real através de e-mails e cartas com desabafos e questionamentos de leitoras que se identificaram com as trapalhadas e aprendizados das suas personagens.
Mas de onde vem tamanha identificação? E como Laura se deixou envolver com o público ao ponto de iniciar a produção de vídeos inspirados nos questionamentos das suas leitoras? Acompanhe a entrevista a seguir e conecte-se você também com essa talentosa mulher!

1) Laura, em primeiro lugar, obrigada por aceitar conceder essa entrevista! Lembro-me do início da sua carreira, quando seu primeiro livro ingressou na segunda edição em tempo recorde. A que você credita essa aceitação tão grande e tão rápida?
A alegria é toda minha em falar com vocês! Obrigada pelo convite!
Eu me dediquei muito a divulgação do livro. Investi tempo, dinheiro e energia. Fiz o que pude para conseguir mídia, participar de eventos literários e me divulgar na internet. Mas nenhum marketing dá certo quando a história não convence. Sem dúvida, o fato de ter escrito uma história sincera, de forma que os leitores pudessem se indentificar, foi a razão de eu ter começado bem. E foi só o início mesmo, pois a responsabilidade e o trabalho dobram a cada publicação.

2) O que você imagina que leva as leitoras a se identificarem tão profundamente com suas personagens – e, mais que isso: procurarem a autora para dividirem frustrações e desabafos?
Eu toco em assuntos que às vezes são constragedores para mim. Quem acha bonito ter inveja, sentir atração por um cara que não é seu namorado, ser traído e assumir seus complexos e inseguranças? Assim, escrever é uma catarse: se noto algum constragimento, paro, penso e elaboro; fico livre daquilo. Sinto que as pessoas se identidicam com isso: notam que foi difícil para mim superar algo como foi para elas. Percebo isso por meio dos textos do blog, já que a internet permite uma interação imediata. Sempre falo de situações que passei e me exponho, recebo uma chuva de e-mails.

3) As leitoras pedem muitos conselhos, no estilo “Laura, me tira dessa”? Como reage a esse tipo de contato? Prefere não se envolver demais, ou acaba se envolvendo ao ponto de virarem “BFF”? (risos)
Esse “Laura, me tira dessa” pegou! Eu adoro, surgiu dos leitores mesmos. Em alguns eventos, meus leitores se organizam e fazem um momento onde eles se queixam de algo e dou meus palpites. Claro, tudo com humor.
Levo isso muito a sério. Se alguém se abre comigo, é porque quer mesmo ajuda. Sei que não tenho formação para uma auxílio profissional (e mesmo se fosse terapeuta, não faria, afinal, psicólogo não dá conselho!), mas tento responder o melhor que posso me colocando no lugar da pessoa. Não digo o que fazer, pois isso é muito pessoal, mas tenho o dever de deixar a pessoa melhor do que quando ela me escreveu. Na maioria das vezes, as pessoas se sentem bem só de partilhar e de ter uma resposta com outro ponto de vista. É uma alegria poder ajudar um pouco e ter material para os próximos livros e posts.

4) De todas as histórias que você já leu ou ouviu das leitoras, alguma a tocou de forma especial?
Muitas histórias me marcaram. Tanto de pessoas que atravessaram momentos realmente ruins como términos traumáticos, morte de alguém próximo ou de entrarem em furadas enormes. Fico muito feliz quando me escrevem para dizer que algum livro meu fez companhia num período de tristeza. Há um tempo, recebi o e-mail de uma senhora dizendo que o Freud, Me Tira Dessa! foi a única coisa que a fez rir depois de ter perdido seu neto. Ela o comprou num aeroporto, leu numa viagem e indicou a leitura a outras pessoas da família que também sofriam esse luto. Foi um e-mail lindo, que me emocionou muito.

5) Além dos livros, agora você possui um canal de muito sucesso no Youtube, onde posta vídeos com assuntos de interesse das meninas e mulheres em geral. O que a motivou a fazer essa nova interação com o público?
Foi uma grande alegria descobrir que meus leitores queriam saber um pouco da Laura, e não só das personagens que crio. Assim, fiz o blog. Meus amigos e leitores que já me viram em eventos ou em programas de TV, diziam que sou espontânea, sem medo da câmera e que deveria investir num canal de YouTube. Um dia, me enchi de coragem e comecei a gravar por meio de uma parceria com a produtora Sorriso Filmes. A repercussão tem sido ótima! Tomei gosto e estou pensando em novas séries. Sempre penso em fidelizar meu público com assuntos que eles gostem, já que os livros demoram um pouco para sair.

6) Uma mensagem que você parece defender com muita ênfase nos vídeos é que a mulher deve se amar e se valorizar acima de tudo. Em seus livros, você busca transmitir a mesma ideia?
Totalmente! E não falo isso da boca para fora, como uma autojuda barata. Isso é um desafio diário para mim num contexto sexista e norteado por padrões irreais. Somos ensinadas a ser de um jeito para sermos amadas, a agir de outro para termos sucesso – mas não muito sucesso, pois mulher muito realizada não arruma homem (é mole?). Romper com essas ideias foi difícil e dolorido para mim, mas valeu a pena. Vivo de forma muito mais inteira e honesta. Divido alguma dessas lutas no que escrevo e falo. Harmonizar-se consigo mesma, com seus pontos fracos e fortes e sua vida, é fundamental para descobrir seu caminho para felicidade.

7) Conte-nos mais sobre a carreira! As conquistas, os objetivos, os próximos desafios…
Eu saio da cama feliz todos os dias por viver do que sempre sonhei. Mas nada vem sem trabalho e dedicação. Faço um esforço enorme para ter disciplina, aprender mais sobre comportamento humano, técnicas de escrita e gramática. Estou muito focada no blog, que tem me dado um retorno ótimo, e em meu lançamento, “Quando Saturno voltar”, que saiu por uma nova casa editorial, a Globo Livros. Foi uma oportunidade muito lisonjeira e desafiadora. O novo livro fala sobre as reviravoltas da vida quando julgamos ter tudo sobre controle. O medo de amar é o fio condutor do livro que me deu muito alegria e emoção.

8) Quem quiser assistir aos seus vídeos ou entrar em contato, aonde podem encontrá-la?
Eba! Vou adorar receber os leitores da Zero15 no www.youtube.com/c/laurinhaconrado ou em meu blog www.lauraconrado.com.br. Lá tem todas as minhas midias sociais e formas de falar comigo.

9) Alguma mensagem final para os leitores da Eu Leio Brasil?
Gente, eu amei as perguntas! Já conhecia a Samanta escritora, mas adorei a Sammy repórter! Conhecam os livros dela e de outros autores nacionais que têm contado muitas histórias boas. A leitura é um ótimo caminho para conhecer a si próprio, os outros e o mundo. Recomendo fortemente!