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Supostamente, era de se esperar que eu soubesse de tudo o que ocorre em cada recanto do Rio de Janeiro, mas, esta que vos fala possui imensas limitações, e é fato que mesmo afeita a mexericos, não sou parte da nata que os formaliza à boca miúda, por isso as notas breves neste semanário, e algumas, confesso, carregadas de impressões e doses de malícia.
Ocorre que hoje, quase uma semana após o fato, veio ao meu conhecimento os pequenos ataques sofridos por muitas damas, à rua do Mercado. Talvez, e posso ter quase certeza de que serei vítima de muitos comentários perniciosos, quando,
propositalmente, elevo o título das mulheres atacadas a pares de minha estirpe. Não que na verdade muitas dessas línguas ferinas tenham algo em comum comigo, e muito menos, com minha linhagem. Mas o fato que prima, e toma forma, é que sempre tiveram inclinação, e sempre terão, a alcoviteiras.
Tomassem elas conta de sua própria alcova, fossem menos tagarelas e mais felizes. Quem sabe, até mesmo, saberiam manter a fidelidade de seus maridos imaculada. Posto que nada disso me pertence, nem mesmo as condições necessárias para analisar o episódio de forma florence, sob a qual deve ser certamente analisado. No entanto, certos detalhes que foram apresentados, tornam a natureza da personalidade do autor dessa chacina, peculiar. Poderia descrevê-lo como alguém comum, com certa aptidão à vida pregressa e furtos, ou até mesmo uma predisposição nata ao crime, com algum antecedente familiar. Não gostaria de crer que uma mente que se predispõe a deixar toda uma sociedade perplexa ante a sua construção de cena, na qual descreve um profundo
conhecimento da anatomia humana, possa ser tão somente um assassino comum e deslumbrado pela ribalta.
Acusem-me de tudo que lhes perpassar a mente, mas jamais me apontem como alguém que se omitiu aos relatos que teve conhecimento. Afirmo, ainda, que é cedo para que a milícia eleja um perfil, ou que nos atenhamos apenas às marginais. Está claro, ao menos para mim, que há uma mente fervilhante, noite e dia, à espreita. Uma voz não ouvida, uma dor silenciada… Alguém que definitivamente ganhou minha atenção!
Talvez, enfim, eu possa lhes trazer mais que entretenimento do que as simples e
cotidianas fofocas da corte, que já me parecem prosaicas diante de tal realidade…
Que tal uma visita a rua do Mercado?

Meredith Baker