maria firmina dos reis

por Margarete Prado

Vocês já ouviram falar de Maria Firmina dos Reis? Escritora negra, do fim do século XIX, que se sustentou como professora a vida toda, nunca se casou e escreveu um dos melhores romances da história da Literatura Brasileira, denominado Úrsula? Hoje, vocês vão conhecer um pouco sobre ela.

Malgrado a  incontestável existência de  escritoras afrodescendentes, no Brasil, ao longo da história, como, por exemplo, no século XIX, a ficcionista Maria Firmina dos Reis e  a poeta Auta de Souza, – o silenciamento que incidiu sobre a memória das nossas escritoras, até aquele século, fez com que a representação não hegemônica  da mulher construída na obra destas escritoras ficasse de fora das histórias da nossa literatura.

No século XIX, as mulheres viviam em sua maioria enclausuradas no ambiente doméstico. Sem o direito de aprender a ler, escrever ou votar. A primeira legislação autorizando a abertura de escolas públicas se deu em 1827. As mulheres daquela época eram criadas para serem boas mães, boas donas de casa e obedecer ao seu chefe, o marido. Não precisavam ser cultas, nem intelectuais. Sabiam bordar, costurar e as mais abastadas também tocavam piano e declamavam poemas nos saraus da alta sociedade.

Maria Firmina nasceu em São Luís, no Maranhão, em 11 de outubro de 1825. Autodidata, ela nunca teve condições de frequentar uma escola. Em 1859, escreveu o romance Úrsula, primeiro romance escrito por uma brasileira descendente de africanos. Foi colaboradora em vários jornais maranhenses, com artigos, crônicas e poesias. Ela foi extraordinária, até mesmo compôs músicas clássicas e populares, e destacou-se no romance, na poesia, no conto, na música popular e erudita.

O historiador maranhense Nascimento de Moraes encontrou, por acaso, o livro Úrsula, na Biblioteca Pública Benedito Leite, em São Luís, Maranhão. Até o momento, é o primeiro romance afrodescendente brasileiro. Mais tarde, descobriram-se mais duas obras perdidas de Maria Firmina, nos porões da mesma biblioteca: Gupeva (1861) e Cantos à beira mar (1871), publicadas em forma de folhetins, nos jornais maranhenses, fato comum entre os escritores anteriores ao século XX.

                                                                                                                                                                                      

Mestre em Teoria Literária (UNICAMP); doutora em487255_414077468643697_1157564999_n
LETRAS (UFBA – 2005)), PÓS-DOUTORA em Linguística Aplicada (UFRJ – 2019). Pesquisadora e coordenadora do NEGA – Núcleo de Estudos de Gênero na Amazônia; blogueira, antologista, escritora, revisora, tradutora, membro da Academia Acreana de Letras, desde 2011. Páginas no Facebook: Academia Acreana de Letras, Comunidade das Letras Notívagas e Doramalândia.