Por Margarete Prado

Meus queridos leitores, hoje, vamos continuar falando de escritora negras no Brasil, temos dezenas de mulheres maravilhosas, negras, escrevendo e completamente desconhecidas em nosso país. Negras de talento, poderosas, realmente escrevendo obras primas e quantos de nós ou nossos filhos, parentes, colegas e amigos conhecem sobre elas, ou leu algum livro delas? Já falei aqui sobre 3 delas, Maria Firmina dos Reis, Auta de Souza e Carolina Maria de Jesus e vamos tratar agora de grande, talentosa e premiada Ana Maria Gonçalves.

ANA MARIA GONÇALVES – A mineira Ana Maria Gonçalves abandonou em 2002 a agência de publicidade em que trabalhava em São Paulo e isolou-se na Ilha de Itaparica, na Bahia, onde passou seis meses escrevendo seu primeiro romance, Ao lado e à margem do que sentes por mim, marcado pelo registro intimista. A autora mostra nesta obra certa influência de Clarice Lispector.

Em maio do ano 2006, em silêncio, lançou um romance histórico de 952 páginas, o elogiado livroUm defeito de cor, pela editora Record. Em janeiro deste ano, o romance recebeu o prestigioso prêmio Casa de las Américas, escolhido entre 212 concorrentes, em decisão unânime dos jurados.

UM DEFEITO DE COR – O livro conta a história de Kehinde, uma senhora africana, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há muito tempo. Ao longo da travessia, ela conta sua vida, pontuada por mortes, estupros e escravidão. Narrado de modo envolvente e pungente, o romance insere no cotidiano e na vida dos personagens fatos históricos como a Revolução Malê, uma rebelião coordenada por escravos muçulmanos na Bahia, em 1835.

De fato, o livro foi inspirando na vida da senhora Luísa Mahin, contando a trajetória de uma menina nascida no Reino do Daomé e capturada como escrava aos 8 anos de idade, até a sua volta à terra natal como mulher livre.

A autora escreveu ainda duas peças de teatro: Tchau, querida, de 2016 e mais outra denominada Chão de Pequenos, de 2017. Sempre descrevendo as desigualdades, discriminação e racismo sofridos pelo povo negro no Brasil.

A autora prepara seu terceiro romance e mantém o blog “100 meias confissões da Aninha” http://anamariagoncalves.blogspot.com/

Mestre em Teoria Literária (1997 – UNICAMP); doutora em LETRAS (2005 – UFBA). Pesquisadora e coordenadora do NEGA – Núcleo de Estudos de Gênero na Amazônia (UFAC); revisora, antologista, tradutora e blogueira, membro da Academia Acreana de Letras, desde 2011. Páginas no Facebook: Academia Acreana de Letras, Comunidade das Letras Notívagas e Doramalândia. Livros publicados: Motivos de Mulher na Amazônia (2007); Vozes Femininas da Floresta (2009) e Cartilha de Gênero e Raça (2018) e participação em 02 Antologias da Editora Oito e Meio; 07 Antologias da Editora Illuminari e 08 da Editora RICO.