por Artur Laizo

Figuras de linguagem são palavras que podemos utilizar para criar novos significados, ou mais expressão para um texto.
A figura mais conhecida talvez seja a metáfora, bastante utilizada no nosso dia a dia.

1. Metáfora
É uma relação entre uma palavra e o que ela representa.
Exemplo: Cidade das rosas – referindo-se a Barbacena.

Cidade Luz – Paris.

O aluno era um tigre.

2. Comparação
Existe uma relação comparativa explícita.
Exemplo: A noite é como um manto negro no céu.

O campo de trigo era um manto dourado que se espalhava a perder de vista.

3. Antonomásia
É o uso de uma palavra por alguma que se refere a sua identificação.
Exemplos: Filho de Deus (Jesus Cristo),

Terra da Garoa (São Paulo),

Cidade Maravilhosa (Rio de Janeiro).

4. Personificação (prosopopeia)
Dá características e/ou ações de pessoas a elementos não humanos.

Exemplo: Árvores se abraçam.

Os gatos dançavam no telhado.

5. Catacrese
É um termo que existe devido à falta de uma palavra específica para nomear algo.
Exemplo: Pé da mesa, pé de alface.

A face iluminada da lua.

6. Sinestesia
É quando utilizamos sentidos diferentes ao mesmo tempo.
Exemplo: Despertara-a um grito áspero, vira de perto a realidade.

O som surdo do relógio de parede o fez arrepiar-se.

7. Onomatopeia
É um processo para expressar em palavras determinados sons.
Exemplo: Miau.

Bang, bang – era o que se ouvia nas ruas violentas.

8. Metonímia
É o uso de uma palavra para representar alguma coisa, uma marca por um produto.
Exemplos: Tomei um Nescau.

Servi um Concha y Toro para todos.

9. Paradoxo
O paradoxo relaciona características opostas de maneira simultânea.
Exemplo: Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos. (Guimarães Rosa – A terceira margem do rio).

É ferida que dói e não se sente, /É um contentamento descontente… (Camões).

10. Ironia
É quanto há se escreve de uma forma e se quer transmitir outra que pode ser oposta.
Exemplo: Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis. (Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas).

Ela falava tão baixo que se podia ouvir do outro lado da cidade.

11. Antítese
É uma relação sem a contradição no paradoxo.
Exemplo: Os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais (Drummond – Nova reunião).

As roupas brancas estão pretas de graxa.

12. Eufemismo
Transforma suaviza uma mensagem.
Exemplo: Ele não está mais entre nós.

Ela carecia de beleza.

13. Gradação
É uma sequência de forma crescente ou decrescente.
Exemplo: Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada (Gregório de Matos – Soneto a Maria de Povos).

Mais de dez, mais de cem, mais de mil pessoas estavam lá.

14. Hipérbole
É o exagero.
Exemplo: Estou morrendo de frio.

O jovem era alto como um arranha-céu.

15. Pleonasmo
É quando uma ideia é repetida para reforçá-la.
Exemplo: Vamos fugir pra outro lugar, baby. (Gilberto Gil – Vamos fugir).

Vamos comer a comida.


16. Anáfora
Repetição regular de uma palavra.
Exemplo: Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse… (Drummond – E agora, José?)
Pirulito que bate, bate, Pirulito que já bateu…


17. Polissíndeto
Repetição de uma conjunção.
Exemplo: Ou estuda, ou trabalha, ou tem vida social, ou tem saúde.

E cantou e sorriu e gargalhou e rodopiou no palco e não estava feliz.

18. Quiasmo
O quiasmo é uma repetição cruzada.
Exemplo: E estudava, e trabalhava, e trabalhava e estudava.
O inseto voava e zumbia e zumbia e voava.


19. Silepse
Há concordância verbal ou nominal com a ideia, mas não com a palavra
Exemplo: A gente é novo. “Gente” é substantivo feminino e “novo” é adjetivo masculino.

São Paulo é imensa e misteriosa. (referente à cidade de São Paulo).


20. Hipérbato
É quando a oração não está na ordem direta.
Exemplo: Estudavam anteriormente com enciclopédias os alunos.
Ouviram do Ipiranga às margens plácidas.


21. Elipse
É quando algum termo da oração é oculto.
Exemplo: Fiz uma redação hoje. O pronome “eu” está oculto.

No mar, tanta tormenta e tanto dano. (Camões).

22. Zeugma
É um recurso que omite um termo que já foi mencionado antes na oração.
Exemplo: Ele gosta de Biologia, eu de Geografia.

Um soprano cantou uma ária triste, outro uma alegre.

23. Assíndeto
É uma omissão (parecida com uma elipse), porém é exclusiva para conectivos e conjunções.
Exemplo: Acordei, comi, estudei, dormi. Não há a conjunção “e” para unir as duas últimas orações.

Sem luz, sem comida, sem água, eles estavam perdidos.

24. Aliteração
É utilizar, consecutivamente, palavras com consoantes que produzem sons parecidos. O resultado é um trava-língua.
Exemplo: O rato roeu a roupa do rei de Roma.

Trazei três pratos de trigo para três tigres tristes comerem.

25. Assonância
Repetição consecutiva de palavras com vogais tônicas.
Exemplo: Ó Formas alvas, brancas, Formas claras. (Cruz e Souza – Antífona)
Minha foz do Iguaçu, Polo Sul, meu azul, luz do sentimento nu. (Djavan).


26. Anacoluto
A estrutura sintática da frase é interrompida por algum elemento “solto”.

Exemplo: Matemática, como aprender essa matéria?

Meus tios, disseram-me que se mudaram para Europa.

Sobre o autor:


ARTUR LAIZO – Nasceu em Conselheiro Lafaiete, (08/11/1960). Mora em Juiz de Fora onde exerce a profissão de médico, cirurgião geral.

É presidente da LIGA DE ESCRITORES, ILUSTRADORES E AUTORES DE
JUIZ DE FORA – LEIAJF. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete.



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