burial

Aceitação do fim:

Não é mais como era

O tempo é inviolável

Deve ser mastigado e engolido para que o hoje exista

Tenha gosto e cor

A mudança é constante

A impermanência, incômoda

A inércia… Sutilmente desejada

O que fazer com o desejo de desejar a mentira?

Mesmo sabendo que sufoca e alucina?

As sombras surgem

E concretamente escapam da consciência

Só me resta entregar de bandeja essa cabeça doente

Que não sabe onde está

E a mercê da falta

Eu peço a cura

O merecimento dela

A noção de completude

O fim da dúvida

 

Maria Rachel Bezerra de Menezes