por Léo Antan

A literatura é ferramenta de inclusão, aprendizado, diversidade. Pelo menos, é assim que esperamos. Livros que nós fazem reconstruir novos conceitos, rever os velhos e nos fazer pessoas melhores. Cumprindo esses quesitos, é importante falar do papel de obras como “Princesas GPower” nos dias de hoje.

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Já imaginou princesas que em nada lembram aquelas que estamos acostumados a ver nos desenhos? Quem foi que disse que pra ser princesa tem que ser magra, branca e loira?
A coletânea com as autoras Janaina Rico, Mila Wander, Larissa Siriani e Thati Machado recria famosas personagens dos contos de fada nos dias atuais com princesas gordas, que nada lembram o padrão. Histórias lindas, atualizadas que brincam com o gênero literário. Casais que se apaixonam pra sempre sem trocar nem uma palavra? Nada disso. Princesas que percebem que muito além de príncipe, mais importante é se sentir bem e ter amigas verdadeiras? Tem também.

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“Princesas GPower” é um livro pra todos. Histórias que nos ensinam a amar o nosso corpo, seja ela qual for. Alto, baixo, magro, gordo, desproporcional, imperfeito. Vivemos numa sociedade que nos ensina a ter vergonha e insegurança de quem somos. Nada do que fazemos é suficiente, sempre há um “defeito” a ser melhorado. Mas é impossível atender a todas essas expectativas, que nem nossas são. Cindy, Rosa, Kai e Malena mostram que o problema nunca está na gente, mas sim e dar ouvidos para os que outros pensam.

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Mas se engana quem acha que as autoras escreveram um verdadeiro livro de autoajuda. De certa forma, não deixar de ser. Mas em todas as quatro histórias, o físico da personagem é apenas um detalhe. Como teria de ser na vida real. Afinal, a aparência em nada diz sobre de quem fato somos. Cada autora dá sua personalidade em seu conto, Janaina Rico diverte com sua Cindy e aumenta o leque da representatividade com seu príncipe negro. Larissa Siriani faz uma encantadora atualização de Bela Adormecida. Enquanto Mila Wander mistura realismo e fantasia na instigante história de uma sereia que tem medo do mar, com a dose de sensualidade que é sua marca registrada. Por fim, Thati Machado subverte numa história que aposta na amizade e mostra quem todos nós temos o mal e bem dentro de nós.

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Na imagem acima, as autoras durante o lançamento na Bienal. 

Fonte da foto: Casal Aficionado

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Ao montar esse novo painel de princesas lindas, empoderadas e donas de si, as autora atualizam os contos de fadas e levam para as novas gerações uma mensagem maior de tolerância e diversidade. Todos nós podemos ser príncipes e princesas, do jeitinho que somos. Ou melhor, podermos ser o que quisermos. Afinal, ser princesa não é receita nem forma de felicidade pronta. Muito menos, precisamos ser resgatadas por príncipes. Somos tudo o que precisamos: imperfeitos, incompletos, autossuficientes. Podemos ser princesas, vilãs, super-heróis ou qualquer coisa. Não há modelos para ser nós mesmos.

 

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Léo Antan é o mais jovem autor a publicar com a Rico Editora. Além de colunista, é bacharel é em História Da Arte e diverte centenas de leitores pelo país com seu recém-publicado livro: A Gente Dá Certo