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Ler e ser: representatividade e diversidade importam

Quantas vezes quando lemos ou vemos um filme ou um romance e nos sentimos representados? Se enxergar, se colocar no lugar de um personagem é a receita básica para se encantar com uma boa obra, seja escrita ou não. Quem de nós não queria entrar pra uma escola de magia, ou ser salvo dos dias repetitivos por um vampirão galã?
Mais do que fugir da nossa realidade, ao ler um livro, criamos uma outra janela de possibilidades, imaginando milhões de possíveis rumos que nossas vidas podem tomar. Crescemos esperando príncipes, princesas, vilões e reviravoltas fantásticas acontecerem, mas elas não chegam. Ao menos não da maneira que esperamos.
Se colocar no lugar do protagonista, imaginar a vida tomada de assalto por uma revelação de que só você pode salvar o mundo e recuperar a paz mundial. Ser linda, rica, alta, loira? Olhos azuis? Magra? Hétero? Mas calma. E se não tivermos nenhuma dessas características e agora? Dá pra ser feliz se sou tão diferente aquele que é mostrado como o ideal?
Ser branco, magro, rico, hétero ou ainda cisgênero parece ser a fonte eterna da felicidade. Aliás, o que mais podemos querer da vida? Do que um mocinho bem sarado, ainda por cima empresário rico e que transe bem. Ou uma linda princesa bem delicada, educada e de preferência virgem… Mas, na real, quem consegue ser tão perfeito assim o tempo todo?

Créditos da imagem: o Shutterstock 20428202_1526204704066971_1298308023_n

A decisão de qual livro ler, ou qual filme para assistir, traz um pacote de mensagens que podemos comprar ou não. Discussões tão atuais como o machismo, homofobia ou racismo não estão apenas em cenas escancaradas e claras, todos esses preconceitos estão presentes de maneira estrutural em nossa sociedade. Sendo reproduzidos e disseminados em diversas obras literárias ou audiovisuais. Pequenos gestos, atitudes, piadas cotidianas…
Não, o mundo não está chato. Ele sempre foi chato, para muitas pessoas ele é chato diariamente.
A palavra “representatividade” não está tão na moda à toa. Voltando pro início do texto, não é bom se sentir representado em algum personagem? E não é melhor ainda se ele se parece com você, passando do físico ao emocional, do que ela tenha padrões inatingíveis? Sabe que você também pode chegar lá, assim exatamente da maneira que você é, sem mudar nada.
As nossas escolhas, da roupa que vestíamos ao livro que compramos, refletem como pensamos e agimos. Por isso, é importante saber de que mundo queremos fazer parte e como podemos agir para melhorá-lo, dos pequenos aos grandes detalhes, todas as nossas decisões refletem quem somos.
Nós aqui, na “Eu leio Diversidade” vamos trazer esse debate. Queremos protagonistas negros, gays, transexuais, gordos, altos, baixos, magros, morenos, de cabelos enrolados e lisos, bissexuais ou assexuais, ricos e pobres, bons e maus. Uma palheta bem colorida. Ver cada vez mais representatividade e correr atrás de obras que cumpram esse papel é acreditar e fazer parte de uma sociedade menos injusta. Onde todos podemos viver feliz e tranquilos com nossas condições, nisso tudo, a literatura tem papel fundamental. Pois é na ficção que devemos começar a imaginar situações melhores, para que elas possam afetar cada vez mais pessoas e começar a mudar de fato cada cantinho da nossa realidade.
Por isso, eu leio diversidade. Cada vez mais.

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Leonardo Antan é graduado em História da Arte, folião e escritor. Autor de romances jovens que abordam a diversidade e os conflitos contemporâneos. Para saber mais acesse sua página de autor: https://www.facebook.com/leo.antan