LUISA KALBERG

por Margarete Prado

Luisa Galvão Lessa Karlberg nasceu em Tarauacá, no seringal São Luís, em 15 de maio dos anos 50, filha de Teófilo Monteiro Lessa e Maria Nair Galvão Lessa. Ali, viveu até os 5 anos; aos 6 anos, foi enviada para um colégio religioso alemão, em Cruzeiro do Sul, segunda cidade do Acre, em sistema de Internato. Era um colégio pago. Ali, ela fez o colegial e o ensino médio, saiu aos 16 anos e sete meses, formada professora. Conta que por conta disso, sempre sentiu um grande amor por Cruzeiro do Sul, quase tão grande quanto por Tarauacá, sua terra natal, porque cresceu em Cruzeiro e desta cidade ganhou “régua e compasso”, criando laços afetivos e intelectuais para sempre.

Depois de se formar no Colégio Alemão, o Instituto Santa Terezinha, em Cruzeiro do Sul, no qual fez desde as primeiras letras até o magistério, logo contraiu matrimônio. Ele era 11 anos mais velho e faleceu alguns anos depois. Ela, então, casou-se pela segunda vez com Anders Gunnar Tore Ejannar Karlberg, nos anos 1990, um engenheiro de comunicação, nacionalidade sueca. A escritora Luísa tem duas filhas e dois netos. Em 2015, viajou para a Suécia e assinou seu divórcio. É graduada em Letras Inglês/Português e especialista em Língua Portuguesa, pela Universidade Federal do Acre. Fez Mestrado em Letras, pela Universidade Federal Fluminense, e Doutorado em Língua Portuguesa, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, sendo pós-doutora em Lexicologia e Lexicografia, pela Université de Montreal, Canadá. Atualmente, é aposentada da UFAC; mas continua Pesquisadora do CNPq; Professora Convidada da Universidade Gama Filho, da Estácio de Sá, IESACRE; Professora Nacional Sênior – CAPES (2010-2014); DCR/CNPq – 2015-2017.

Começou a trabalhar aos 16 anos, uma vez que foi nomeada professora por Governador José Rui da Silveira Lino, então governador do Acre. Assumiu o trabalho quando saiu do Colégio Alemão, ganhando metade do salário até completar 18 anos. Foi, portanto, professora do ex-território federal do Acre. A partir disso, a contribuição sociocultural de Luísa Kalberg tem sido enorme. Já escreveu 9 livros como ensaísta e está em um livro de poemas publicado em 2017, além disso tem poemas publicados em Antologia Internacional, sendo também contista em várias Antologias da Editora Illuminari. Foi uma das primeiras professoras com doutorado no Curso de Letras da Universidade Federal do Acre e foi a primeira a elaborar o Atlas Etnológico do Acre. Escreve colunas semanais para jornais locais em Rio Branco, para revistas especializadas, participou de inúmeros seminários, congressos nacionais, internacionais, e foi eleita presidente da Academia Acreana de Letras em 2015, estando agora em 2019, em seu segundo mandato na presidência desta instituição cultural.

Luísa Kalberg fez a cessão de seus artigos de jornais para a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, para confecção de livros didáticos de apoio aos professores. Direitos autorais cedidos por 5 anos, que terminaram em 2017. Em relação às obras publicadas, num total de nove, ressaltamos: Epistemologia e Metodologia da Pesquisa (2009); Letras & Letras (2002; A linguagem falada no vale do Juruá (2002); Contribuição para os estudos da dialetologia acreana (2002); Produção da especialização PROEJA no Acre: os desafios e as possibilidades de integração da educação profissional com a educação básica na modalidade de educação de jovens e adultos (2010); Linguagem e literatura no Vale do Juruá (2011); e Aspectos dos atlas etnolinguístico do Acre (2011).

Luísa é membro da Academia Acreana de Letras desde 2004, na cadeira de nº 34, que Manuel Eugênio Raulino e Joaquim Lopes Cruz são respectivamente Patrono e Membro – Fundador. Porém, em abril de 2015 foi eleita a primeira mulher presidente da Academia Acreana de Letras, fundada em 1937 e que conta com 78 anos de existência sempre liderada por homens e com supremacia masculina no poder. Também integra a Academia Acreana de Letras e Jornalismo, a Academia Brasileira de Filologia e a Academia dos Poetas do Acre. Ressalta-se ainda que a mesma é consultora ad hoc CNPq, coordenadora da Pós-Graduação em Língua Portuguesa – Campus Floresta – UFAC e professora Visitante Nacional Sênior – CAPES/UFAC.

No âmbito da Linguística, evidencia que a língua, enquanto código produzido e socializado, apresenta diferenças que devem ser entendidas nas suas conexões com a história, a cultura e a ideologia. Seu nome circula com frequência nos jornais desde maio de 2015, ao iniciar uma campanha em defesa do gentílico “acreano”, no lugar de “acriano” com “i” que estava sendo imposto a todo o Acre, com a reforma ortográfica e venceu a peleja, com a votação na Assembleia Legislativa do Acre, que aprovou a continuidade do uso do gentílico “acreano” com E, em 2018 .


Maga Prado

Mestre em Teoria Literária (1997 – UNICAMP); doutora em LETRAS (2005 – UFBA). Pesquisadora e coordenadora do NEGA – Núcleo de Estudos de Gênero na Amazônia (UFAC); revisora, antologista, tradutora e blogueira, membro da Academia Acreana de Letras, desde 2011. Páginas no Facebook: Academia Acreana de Letras, Comunidade das Letras Notívagas e Doramalândia. Livros publicados: Motivos de Mulher na Amazônia (2007); Vozes Femininas da Floresta (2009) e Cartilha de Gênero e Raça (2018) e participação em 02 Antologias da Editora Oito e Meio; 07 Antologias da Editora Illuminari e 08 da Editora RICO.