bandeira feminina do acre

por Margarete Prado

Fiquei muito contente olhando o noticiário acreano e vendo que estão surgindo novas obras de autoria feminina. O protagonismo das mulheres escritoras no Acre finalmente está aumentando. As mulheres no Acre foram sempre excluídas e silenciadas, desde o nascimento do território, em 1903 e foi grande a dificuldade para começarem a publicar. Elas começaram escrevendo em jornais, como o Jornal Talismã, que circulava em 1913, em Xapuri, sendo um jornal católico feito só por mulheres. Elas escreviam receitas, preces, cartas, poemas e contos nos jornais, do mesmo modo como aconteceu nas outras cidades brasileiras com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo.

A primeira mulher a publicar um romance no Acre foi Florentina Esteves, nos anos noventa, denominado O EMPATE, enquanto os homens começaram a publicar em 1942, com um livro de contos. As mulheres apenas tiveram a autonomia para fazer o mesmo já na década final do século XX, em 1980, mostrando as dificuldades de ser mulher independente e escritora, em terras de Coronel de Barranco.

Agora, temos muitas escritoras atuantes em Rio Branco e com muita grata surpresa vi uma reportagem no G1Acre falando de Laura Almeida, que somente com 18 anos publicou um romance que ela sonha que possa se tornar um filme e foi intitulado de Codinome Valery. A autora começou a escrever este romance com 17 anos e o publicou, na cidade de Rio Branco, em 2016. Desde o lançamento, foi um grande sucesso.

Antes dela, somente 3 mulheres tinham conseguido publicar romance no Acre, a já citada Florentina Esteves, Robélia Fernandes e Luciana Barroso. Entretanto, Laura Almeida chegou chegando, de forma brilhante trazendo para o público uma narrativa de suspense com muitas reviravoltas, retratando como protagonista uma mulher extraordinária, que saindo do Brasil, muda completamente de vida ao ir residir em Albany, na Califórnia.

A jovem escritora, universitária em Biomedicina, de fato, começou a escrever com 14 anos e fez sua grande estreia em 2016, aos 18 anos. E continua escrevendo a todo vapor, sendo um exemplo para outros jovens escritores da pequena cidade nortista do Acre. Rio Branco, na verdade, tem uma Academia Juvenil Acreana de Letras, fundada em 2015, pelo jovem Jackson Viana, estudante de Direito na UFAC. Assim, mostrando que, em terras acreanas os jovens costumam publicar desde cedo. O próprio Jackson Viana aos 18 anos tem mais de 5 livros publicados desde os 14 anos.

Para terminar este texto, convém assinalar que tanto Laura Almeida, quanto Jackson Viana, foram alunos de escola pública, superdotados, descobertos e analisados pelo Núcleo de Atividades de Altas habilidades e Superdotação (NAAH/S) na área de artes, desenvolvendo habilidades em língua estrangeira e na escrita.