vanessaPor Vanessa Nunes

Sei que Setembro ainda está longe, mas andei pensando com os meus botões sobre campanhas contra o suicídio.

A depressão é minha velha amiga, embora poucos saibam disso, até porque eu sou uma das pessoas mais sorridentes que eu conheço. Por vezes, ela é silenciosa e nos corrói por dentro… Eu não gosto da companhia dela, mas a tenho comigo. Não posso expulsá-la, mas aprendi a conviver com ela. E ela comigo. Não adianta apenas postar campanha na internet: o suicídio cresce mais e mais a cada dia! Antigamente nós escondíamos nossos diários e todos os queriam ler. Hoje, postagens sobre nossas vidas são feitas a toda hora e ninguém mais quer saber delas.

Experimente por um momento fechar os olhos…

Experimente estar em uma sala coberta de pessoas…

Experimente se perguntar quantas pessoas você conhece que já tentaram suicídio. Ou quantas vezes você mesmo já pensou em cometê-lo? Ou se soube de alguém que se matou sem pedir ajuda? Ou de repente?

Experimente pensar quantas vezes você já pensou que não ganharia mais alguma batalha consigo mesmo. Afinal, cada pensamento desse tipo é um tipo de batalha, não é? Cada inspiração é uma guerra e vivemos em constante briga com nós mesmos.

Por isso não basta que façamos apenas as velhas campanhas da internet, que usamos talvez apenas por modinha. Precisamos ter em nossos corações a convicção de que cada um de nós saiba que não estamos sozinhos, que tem tantas pessoas iguais por aí. Que existem grupos de apoio, pessoas que podem te ajudar e se predispõem a isso quando os nossos familiares e amigos simplesmente não sabem como agir. Porque é assim que geralmente acontece. Não é que a sua família e seus amigos próximos não liguem para você, ou não lhe amem. Eles simplesmente não sabem agir quando a questão do suicídio bate à porta. Muitas vezes, somos até grosseiros, afinal não conseguimos entender como funciona uma pessoa “que tem tudo” querer se matar. O que a maioria não entende é que não temos tudo, não para a gente. Não somos felizes ou realizados. Estamos doentes, nossa alma está doente.

Experimente agora fechar os olhos por alguns momentos e pensar nos motivos que te fazem sorrir, ou naquilo que você tem a agradecer. Experimente lembrar do que lhe faz bem e do que lhe faz sorrir. Pense em como é estar vivo, sentir seus pés na areia da praia, ou a sensação de uma onda chegando aos seus dedos.

Por vezes, a depressão nos desvia do nosso caminho e precisamos nos lembrar em como é olhar na direção certa. Queremos sempre mais, mais, mais sem pensar ou, até mesmo, sem nos dar conta daquilo que já conseguimos. E só quando paramos de nos comparar com os outros e olhamos para nós mesmos é que começamos a perceber como já somos felizes.

A vontade de viver vem aos poucos, mas ela precisa ser regada em base diária. Por isso, quando você está feliz, você saboreia e dança. E, quando está triste, entende o significado de cada frase, porque passa a prestar mais atenção no que é dito em cada letra. A felicidade nos cega. Acho que por isso dizem que o amor é cego e burro.

A depressão lhe faz prisioneiro. O pior disso é lembrar que o seu carcereiro é você mesmo. Viver trancado em sua própria mente é muito mais doloroso que muitas outras doenças.

Todos reclamamos da violência, dos preços, da corrupção, da saúde, do companheiro… A lista é enorme e temos muitas coisas a falar mal. Já parou para escrever e contabilizar a quantidade de queixas que você faz diariamente? Se o fizer vai se assustar com ela! Garanto que sua lista de reclamações será enorme. Todos somos assim. Todos temos nossas dores, aquelas que não contamos a ninguém e, por vezes, chamamos as pessoas de frias quando elas, na verdade, estão sofrendo.

Cada um tem sua própria maneira de agir. Então, um dia, somente um dia, faça o contrário. Experimente pôr em uma lista os motivos maravilhosos que te fazem acordar, que te fazem sorrir. Por mais que seja difícil hoje, amanhã será melhor e mais fácil lembrar como é ser feliz. A felicidade e a qualidade de nossas vidas dependem, sim, de nossos próprios pensamentos.

E você, amigo…

Não basta que ajudemos apenas em setembro. Não adianta postar em suas redes sociais que está aberto ao diálogo para seus amigos, mas, quando ele precisa de você, você fecha aquela porta. Afinal, as pessoas não se suicidam apenas em setembro. Temos outros 335 dias no ano para ajudar, para estender as nossas mãos. Tempos difíceis sempre revelam aqueles que devemos levar conosco para sempre.

Ajudem. Estendam as mãos. Sejamos solidários o ano todo. Não adianta vestir a camisa amarela de prevenção apenas em setembro. Você, eu, cada um de nós pode, sim, fazer a diferença na vida de alguém! Podemos, sim, salvar uma vida! Seja você a diferença que tanto quer ver no outro.

 

Vanessa Nunes é formada na academia da vida. Autora, Mãe, Pessoa estranha, Esposa, Editora, Antologista, Nerd, Colunista, não necessariamente nesta mesma ordem. Por curiosidade e incentivo de amigas, descobriu-se escritora e viu que era boa nisso. Participou de diversas antologias, uma amiga disse a ela que ela era uma escritora Plural e ela acreditou. E encontrou-se em temáticas diversificadas, tais como: terror, erótico, LGBT, thriller psicológico, dark romance, musical, BDSM. Tem muitos projetos ainda em andamento e aguardando respostas para 2019 e agora sim, ela sabe onde é seu lugar, e este lugar é levar grandes histórias ao mundo.