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SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO ANALISADO

Em tempos de BBBs, reality shows e muitas outras diversões onde o protagonista é o cidadão comum, as redes sociais mostram a sua força para construir ou destruir mitos. É através delas que muitos autores nacionais conquistam o seu público e garantem as suas vendas.
Mas a função básica do escritor não é apenas a de escrever?
Pois é, os tempos mudaram. A figura icônica do escritor recluso, embalado apenas por suas ideias e pela máquina de escrever caiu em desuso, tornou-se extinta. Nem mesmo os mais conceituados podem se permitir apenas ao hábito da escrita e deixar sua vida profissional ao encargo de um agente. As editoras cada vez menos estão ansiosas pelo talento desconhecido, aquela obra inédita capaz de mexer com as emoções, para construir uma carreira sólida e fiel. Em tempos em que tudo deve ser muito rápido e o dinheiro é escasso, as casas editoriais querem e precisam do pacote pronto para um retorno garantido de seus investimentos: um autor talentoso e carismático, com uma boa base de clientes e que já tenha um nome no mercado.
E como esses autores conseguem isso? Nas redes sociais mencionadas acima, logo ali nos primeiros parágrafos.
Os passos iniciais costumam ser nas plataformas digitais. Coloca sua obra no Wattpad – gratuitamente – ou na Amazon – à preços módicos – e começa o seu trabalho de formiguinha na divulgação. É nessa hora que o escritor deve desenvolver o seu lado marqueteiro – publicidade e propaganda na prática – e correr atrás do seu público

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Fica a dica: Seus livros são um produto. Pense, analise, defina o seu público-alvo antes de qualquer coisa. É a ele que você vai atender. Todas as suas obras devem atender a essa fatia de leitores. Quer escrever algo completamente diferente? Aguarde que seu nome esteja consolidado para dar um passo tão grande. Amplie a gama aos poucos, de maneira que nunca perca a sua base fiel. A vantagem de ser um escritor brasileiro escrevendo para os seus conterrâneos é a capacidade de criar a empatia leitor x escritor. Caso isso aconteça, eles se interessarão por todas as suas obras, independentemente do gênero.
Bom, a divulgação de um escritor nas redes não tem fórmula pronta. Tem bom senso e sociabilidade. Nada de fazer comentários inbox (a gente aprende isso depois de certo tempo) ou massificar vários grupos com a mesma mensagem durante dias. Converse, interaja, faça com que o leitor te veja como um amigo, tenha afeição pelo criador e depois pela criatura, entende? E esteja sempre pronto para atendê-los, pois é graças a eles que você existe, que carrega na alma essa palavra tão grandiosa que é a de autor(a) ou escritor(a). Veja qual abordagem atrai de uma melhor forma o seu público, e em qual mídia, seja Facebook, Snap, Instagram ou WhatsApp. Faça um apanhado geral do que dá certo e dê o seu melhor, sem deixar cair na mesmice. Deixe que a criatividade também seja explorada na divulgação de sua obra. Afinal, ninguém sabe mais do que ela do que você.
Mas se acha que só isso que conta, divulgação e sorrisinhos por todos os lados, é aí que se engana. A partir do momento em que você é formadora de opiniões, ou seja, que uma (ou milhares de) pessoa(s) acessa as suas redes e vê os seus comentários, opina sobre assuntos que coloca em pauta e pede uma análise pessoal sobre fatos, uma coisa se torna evidente: no
mundo digital, sua vida não te pertence mais. Adeus, vida privada. Para sempre.
Então, muito cuidado com a maneira que age, cita as pessoas, diz alguma coisa. Não faça nada no calor do momento ou como forma de desabafo, impulsivamente. Se for para levantar assuntos que possam criar uma polemização desnecessária ou contrária, não o faça. Política, religião ou debates que podem ofender as pessoas que te seguem devem ser abolidas. Nunca fale mal de algum autor ou livro, por exemplo, pois pode ter pessoas que te seguem que gostam de determinada obra. Se for gastar o seu tempo com algo, em vez de denegrir, pense em coisas positivas, que possam te trazer bons resultados.
Excessos também não funcionam. Se está com problemas, e corre o risco de transformar a sua timeline em uma novela mexicana, fique em stand by, acalme-se e resolva tudo para depois voltar. Pense sempre que tem pessoas te analisando do outro lado da tela do computador, alguns te apoiando, mas muitos prontos para comentarem qualquer gafe que cometer. Aquilo que chamamos de suicídio digital vai te cobrar um preço muito alto. Portanto, mantenha-se atento.
Bons resultados se tornam visíveis. Suas páginas aumentam o número de curtidas. As pessoas passam a te utilizar como referência, e não só os leitores, como as editoras passam a olhar para você. Porque na hora de ser avaliado por uma editora, todas as suas redes serão analisadas. Itens como número de seguidores, interações e opinião do público se tornarão itens essenciais para chamar a atenção de uma das casas editoriais que almeja. Conheço caso de autores que são conhecidos nacionalmente, cujas obras foram pedidas por inbox, no Facebook. Sim, isso existe. E a tendência é que essa otimização seja cada vez maior.
A internet, que há poucos anos era sinônimo de diversão ou busca de informações, se tornou um avatar, uma extensão da vida real. O mundo digital já interfere na maioria de nossas ações não só para os escritores ou artistas em geral, mas para todos nós. A facilidade de se expor ou se esconder atrás da tela faz as pessoas revelarem o que tem de melhor ou pior. E cada um, como escritor, está sujeito a isso: cometer uma ação, dizer algo que possa ter um resultado ou uma retaliação capaz de destruir o caminho que tão cuidadosamente planejou. E isso serve não apenas para quem está no começo, cheio de sonhos, mas os que estão no mercado há anos, com carreiras consolidadas. Portanto, isso serve de aviso para todo mundo.
Seja o melhor de você, para o público e para si mesmo. Garanto que coisas boas acontecerão.

 

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Danilo Barbosa é escritor, editor e agente.

literaturadecabeca@gmail.com