A GUERRA DOS LITERATOS

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Pois é, por mais que tentemos fugir – ou nos encher de esperanças – o inverno chegou. Na verdade, a crise financeira do país invadiu as nossas muralhas com o seu dragão, desestruturando todos os mercados, inclusive o editorial. E vivemos em um país onde o livro, infelizmente, não é uma necessidade mas sim um objeto de lazer descartável. Na maioria das vezes as pessoas primeiro pagam as contas, se alimentam e vestem, passeiam, viajam, vão ao cinema e depois, se der, compram um livro… Exatamente nessa ordem. Tornando assim a guerra para quem vai ocupar os
tronos entre os grandes autores cada vez mais acirrada. Qual será o gênero literário do momento? O que podemos esperar nos próximos meses? Quem será o novo boom literário?
Qual é a jogada certa para não ser um dos mortos e esquecidos na próxima temporada?
Se você tem certeza de que deseja sobreviver no mercado editorial e deixar a sua marca, já te direi uma frase essencial, escrita por Dante, na Divina Comédia: Ó, vós que entrais, abandonai toda a esperança… Não se vive de sonhos, ilusões ou esperanças de que vai entrar de cara na editora que sempre sonhou ou que seu texto inédito irá virar best-seller… Se tem essa esperança, não sabe de nada, querido autor.
Ingressa com sucesso aquele que investe, desde o início, tempo e dinheiro em sua carreira, que faz um bom alicerce e entrega ao leitor um produto bom e apurado – ou seja: muitos dos livros que estão no mercado atualmente, principalmente nas plataformas digitais, não farão grandes autores, pois alguns não se preocupam nem em fazer uma revisão completa, com um profissional da área, quanto mais uma edição. O autor promissor, atualmente, é aquele que consegue manter sua rede atualizada e interage com os leitores, que vai a cada evento e fica o tempo que for preciso autografando, sem perder o sorriso, que vai de um lugar ao outro sem reclamar e trata bem à todos, em um evento que tenha uma pessoa ou mil, com o mesmo bom humor. E tem de atender à demanda, procurando escrever sempre, galgando os degraus e fazendo do seu nome uma marca conhecida.

Para ser o Rei do seu Norte, ou seja, bem-sucedido no seu espaço, pense dessa forma: seu nome, você, seu corpo e ideias, são o seu negócio, a sua empresa. Essa empresa vende um produto, que é o livro. E para chamar a atenção de uma rede, uma parceira que vise lucros, no caso as editoras, você precisa se mostrar consolidada e com um bom público inicial firmado – com um potencial para conquistar muito mais. É isso, sem amor ou afeto. Você será bem tratado e destacado a partir do momento em que provar-se lucrativo. Se isso não acontecer, por mais que se
destaque, perde a cabeça. Vira apenas mais um número no catálogo.

O nosso mercado ainda está se moldando, mas penso que, nessa guerra, vencerão os escritores que souberem se manter firmes, mantiverem a sua identidade e fidelizar o seu público. Não adianta correr para seguir tendências, e conseguir grandes alianças – pois assim é a relação autor e casa editorial, parcerias e alianças. Ninguém vai te publicar porque você é legal ou bonito, mas sim porque tem algo que interessa a eles, que possam utilizar. Não são favores, são negócios. Então, se você faz um bom trabalho, sabe no que é bom e no que atrai leitores, mantenha-se firme e forte e coma pelas beiradas o tempo que for necessário.
As editoras não vivem apenas de tendências, vivem de procura e oferta, assim como você. Por exemplo, a tendência agora é romance de época? Certo. Mas você escreve ficção científica. Qual é o problema? Sei que muitos irão vender guerreiros na Escócia, cavalheiros ingleses, piratas espanhóis e suas donzelas apaixonadas – ou dissimuladas. Mas sempre vai ter leitores à procura de futuros distópicos ou fluxos temporais… E editoras que sabem disso, pois vão se aproveitar dos outros gêneros, dos outros leitores, mantendo assim o seu catálogo diversificado.
Mas enquanto a aliança que você deseja com aquela casa editorial poderosa e linda não chega, o que fazer? Pois em tempos de inverno, a ajuda para enfrentar o esquecimento e se perder no mercado pode demorar mais do que imagina.

A maioria das editoras grandes adquirem títulos internacionais assim que são lançados, ou em alguns casos antes mesmo de serem escritos – eu já vi isso acontecer algumas vezes. Quando eles chegam aqui, já vem com uma série de números de vendas, destaques e prêmios, que as editoras possam embasar as suas vendas. É estranho como valorizamos os best-sellers do The New York Times e periódicos ingleses, como atributos de venda, mas quase 80% do que consumimos vem de fora, ao contrários dos EUA, por exemplo, cuja maioria de títulos lidos são de autores do próprio país, valorizando o produto de casa. Então, entre o que já vem pronto e o que eles precisam fazer conhecido do público geral, com qual vocês iriam querer trabalhar?
Acho que todos sabemos a resposta.
Portanto, aproveitem para firmarem o seu nome entre as editoras pequenas e médias. Enquanto a noite for escura e cheia de horrores, façam suas pequenas luzes brilharem. Se a casa editorial não tem uma tiragem grande ou a distribuição que desejava, paciência. Mas pelo menos você não está parado, permanece no páreo, tecendo as suas estratégias. O livro, que permanece em ápice somente nos primeiros três meses no formato digital, terá uma vida longa maior em formato impresso, chegando a lugares e leitores novos, marcando presença. Procure uma casa editorial
que tenha afinidade com a proposta, com os outros autores e pergunte para algum conhecido – se tiver por lá – como é o tratamento. Mesmo se achar que deu um passo para trás – estrategicamente ás vezes é bom – pense grande. É preferível ser tratado com respeito e cuidado em uma editora média, do que ser mais um em uma casa grande, ás vezes sem a divulgação e o cuidado necessários.

Bom, acho que com esses primeiros passos, você já está pronto para se firmar no Norte e conquistar o Sul, e de quebra, sobreviver ao Inverno ainda mais forte do que começou. Mas faça com sabedoria, paciência e estratégia. Confie em você, na sua capacidade e seja grande. Tenha certeza de que, se souber como agir, com seriedade, educação e profissionalismo, um desses tronos será seu.

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Danilo Barbosa é escritor, editor e agente. Autor de títulos como A Princesa Da Lapa e Contos Secretos e editor do Selo Eu Leio Brasil, ele carrega um vasto conhecimento sobre o mercado editorial acumulado através dos anos. Quer conhecê-lo melhor? Siga-o nas redes socias:

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