Todo mundo um dia já leu, ou ouviu um conto de fadas, historinhas bonitinhas, com finais felizes, com princesas e seus príncipes encantados.

Porém os originais são bem diferentes dessas adaptações, geralmente elas são bem perturbadoras e sangrentas.

Com essas releituras, como a da Pequena Sereia, lançada a pouco tempo, onde relatam a verdadeira história, diferente do conto da Disney, nessa releitura, aborda assuntos bem polêmicos, como a sociedade machista e a cultura da beleza, que se pararmos para pensar, ainda é bem presente nos dias atuais.

Confesso que fiquei bem curiosa em conhecer outros originais, e me surpreendi com o grau de violência e terror.

Um exemplo foi o da Chapeuzinho Vermelho, na versão bonitinha a mensagem que a história passa é de não falar com estranhos, e no fim tudo acaba bem… O contexto é bem parecido, porém no original, o final é bem macabro, o Lobo, além de matar a vovó, ele dilacera o corpo da mesma, e cozinha, e, com o sangue dela, ele mistura no vinho e oferece o jantar para
Chapeuzinho, disfarçado de vovó, ou seja, ela come e bebe a avó, depois pede para ela deitar, nua, do seu lado e acaba devorando-a.

Outro que me deixou boquiaberta foi o da Bela adormecida, como todos nós conhecemos a história é encantadora, depois de um feitiço ela cai em um sono profundo e com um beijo de amor verdadeiro, ela acorda e se casa com o príncipe. Lindo não?

Só que no original, a coisa é bem estranha, diria mesmo sinistra. A mesma espeta o dedo num espinho venenoso, fica desacordada, o rei a encontra dormindo, e a possui, sem o seu consentimento o que caracteriza estupro, ela fica grávida de gêmeos, que nascem e procuram se alimentar sugando o corpo da mesma, onde sem querer, retiram o tal espinho, com isso ela acorda e vai atrás do rei que é casado, sua esposa descobre a verdade e manda matar as crianças para servi-las ao rei, porém a história toma outro rumo e quem acaba morrendo queimada é a rainha, e finalmente a Bela adormecida casa com o rei. Uma total inversão de valores.

João e Maria que foi baseada em fatos reais, pois no século xvI, crianças eram abandonadas no meio da floresta, devido ao um período difícil de fome e pobreza, lá elas eram capturadas por ” bruxas ” pessoas comuns, que as caçavam e comiam. Diziam até que existia uma feira que vendia partes de carne humana.

Podemos observar que nos contos originais, o canibalismo e o estupro eram coisas “normais”, essas histórias, eram contadas em rodas, pelo povo.

Mais tarde os irmãos Grimm, viram um potencial nessas histórias e resolveram compilar, tornando as mais fofinhas, para que as crianças de uma certa classe social mais culta pudessem ler.

Hoje podemos ler, os contos de uma outra forma, com uma pegada bem mais moderna, como, ” O Livro das Princesas “, novos contos de fadas. Uma releitura de quatro contos, que vão de Cinderela na versão ” Princesa Pop “, da Paula Pimenta, e o conto ” A modelo e o Monstro “, da Meg Cabot, baseado na ” Bela e a Fera “.

Mas, o que eu queria realmente ler, é uma releitura do fim dessas histórias do tal ” Felizes para sempre “, nos tempos de hoje, como seria? Os príncipes, seriam sapos? E as princesas, será que se casariam?

Clara Magalhães é pedagoga, professora, autora e adora ler e escrever. Participante de 7 antologias, está em constante crescimento. A inquieta carioca adora viajar, conhecer coisas novas e é uma amante da gastronomia.