por Artur Laizo

Se você quer escrever um livro de literatura, primeiro deve saber qual o gênero a sua história vai ter. Vamos falar de história romântica? De terror? Suspense? Policial? Drama? Enfim, o que você quer escrever?

Se vamos escrever uma história, ela precisa ter três pontos fundamentais: princípio, meio e fim. Se é um conto – esse assunto já discuti em outra postagem e em um vídeo no meu canal no YouTube -, o relato é curto mas ao mesmo tempo tem os três elementos bem marcados. Se é um romance – e entenda-se que romance é uma forma de livro e nem sempre é romântico -, ele precisa ter mais de cem páginas e, como a história é um pouco mais longa, temos o recurso de usar muitos personagens o que fica impossível no conto. No romance, podemos usar vários cenários e vários núcleos de personagens que, com certeza, interagem suas histórias em prol daquela principal que estamos contando. Podemos criar o personagem principal, sua família e, por exemplo, a família de parentes, ou de amigos e relatar o que acontece com essas famílias sem dispersar a ideia principal que é a história do nosso personagem. Não se deve também inserir personagens que vão desaparecer no meio da história sem nenhuma relação com os personagens importantes do livro. Estou relatando a vida de um homem que mora em uma casa em determinada rua da cidade e insiro o vizinho que nem o conhece e no capítulo 10 muda-se para Roma e nunca mais aparece na minha história. Claro que, como leitor – todo escritor tem que ser um assíduo leitor -, eu questionaria onde se meteu esse indivíduo e para que ele apareceu.

O princípio da história deve ser claro. Deve mostrar os personagens que vamos trabalhar e descrever como são sem ser demasiadamente detalhistas, podemos dar detalhes da aparência do nosso rapaz ou moça, durante a própria história, mas que fique claro que ele ou ela são de tal raça, de tal altura, usam cabelos longos, curtos, a cor dos olhos, o sorriso. É importante que se descreva como é o comportamento do nosso personagem. Se o criarmos educado e gentil, ele será educado e gentil até que algo faça com que ele mude, se não houver nada diferente ele será como o criamos por toda a história. Ainda no princípio da história devemos mostrar o que virá pela frente. Sem contar o desenrolar da história, o início mostra se é terror, se é romântico, se é suspense, enfim.

A parte mais difícil de escrever um romance, talvez seja o meio. Pearl S. Buck disse em uma entrevista que muitas vezes tememos o “deserto do livro”, aquela parte onde o autor já mostrou todos os personagens, já disse o que vai acontecer, já sabe o fim, mas não pode terminar sua obra antes de desenrolar várias e várias tramas que são importantes para o desfecho. O meio do livro pode ser o ponto do clímax do livro e ali estar toda a razão da história. Em outros livros, esse clímax, esse desfecho só se dá no final do livro. Em “O Assassinato de Roger Ackroyd”, Agatha Cristhie só dá esse desfecho no último parágrafo. Isso faz com que muitos considerem esse o melhor livro que ela escreveu.

O fim do livro é muito importante para que o leitor ame ou odeie o livro. Claro que há livros que não conseguimos passar da metade e isso não vem ao caso. Nem todo livro é bem escrito, ou nem todo livro vale a pena ser lido. Ainda bem que esses livros são minoria na literatura mundial.  No fim do livro, é necessário que todas as tramas sejam concluídas, ou que se dê um encaminhamento, uma direção para que se conclua. Não estamos falando de uma novela de televisão onde no último capítulo todas as pessoas se casam, todos se dão bem, todos os maus pagam por suas trapaças. Isso não acontece na realidade.

O fim pode, no entanto, não terminar a história e deixar para a imaginação do leitor concluí-la, ou pode dar um gancho para o próximo livro da série.

Para se escrever um livro é necessário, então, uma história que chame a atenção do leitor. Lembremos que existem leitores para todos os tipos de literatura. Então, é importante que essa história seja bem contada, que não seja monótona e não traga nenhum tipo de reação ou emoção ao nosso leitor. Importante, o texto tem que chamar a atenção e causar reação. Quem lê um texto vai falar dele se ele mexer com seu íntimo, ou vai esquecê-lo se não causar nenhum interesse.

Portanto, comecem a escrever. Comecem a ler, aqueles que não leem. Escrever é uma arte, mas também é um hábito e a gente escreve porque vive. A gente lê porque precisa viajar nas palavras do autor.

Sobre o autor:


ARTUR LAIZO – Nasceu em Conselheiro Lafaiete, (08/11/1960). Mora em Juiz de Fora onde exerce a profissão de médico, cirurgião geral.

Publicou: Coisas da Noite – poesias (1997); Maloca Querida – crônicas (1998) e os romances: “É DIFÍCIL MORRER” (1999); “LEMBRANÇAS DO ORIENTE” (2003); “A FESTA DERRADEIRA” (2013) e “A MANSÃO DO RIO VERMELHO” (2016), OI, TUDO BEM? – (e-book publicado na Amazon.com.br em 2017), “UM VAMPIRO NOS TRÓPICOS – A MANSÃO DO RIO VERMELHO II” (2018).

É presidente da LIGA DE ESCRITORES, ILUSTRADORES E AUTORES DE
JUIZ DE FORA – LEIAJF. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete.

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