escrever um conto

por Artur Laizo

Primeiramente, como disse no meu texto anterior, um conto é uma narrativa curta. Temos um relato de um fato, de uma história, de um acontecimento, mas isso tudo dentro de poucas páginas. Um conto deve ter no máximo dez páginas.

Importante no conto é que ele tenha todo o conteúdo que se quer passar nessas páginas. Por isso mesmo, um conto tem poucos personagens – há aqueles que possuem um personagem apenas. O romance ou a novela podem trazer vários personagens e vários núcleos de ação que vão contribuir para o desenvolvimento da história.

Um conto tem que ter início, como todo relato, onde apresentamos os personagens e o cenário onde se desenrola todo o acontecimento do texto. Há contos, no entanto que começam com um relato bombástico: a morte de alguém, o descobrimento de um corpo ensanguentado, ou sem sangue, uma partida para outra cidade, um término de namoro, de caso. Nesse início, damos ao leitor a vontade de continuar lendo o texto.

O clímax é o momento mais importante do conto. É nesse momento que se vai esclarecer o grande enigma do relato, ou vai acontecer a morte, o assassinato, a resolução do problema apresentado. É o momento mais esperado pelo leitor que vai se lembrar pra sempre, ou nunca mais, dependendo do que foi esse clímax. Importante lembrar que o clímax do conto não é necessariamente o final do conto. Há coisas ainda a explicar depois do momento mais importante? Explique! Nunca deixe no seu conto uma situação indefinida a não ser que esse seja o objetivo: deixar o leitor decidir o que realmente aconteceu e você não contou. Deixar uma situação em dúvida pode render vários louros para o texto.

O fim do conto é importante como eu disse para arrematar a história e ao mesmo tempo fazer com que o leitor entenda a sua obra.

O tema do conto, como discutido anteriormente, é o que vai fazer com que algumas pessoas o procurem ou não. Se o tema é terror, que seja terrível, se for amor, igualmente que seja aquele relato que fará os sensíveis chorarem – eu choro sempre com finais românticos ou aqueles fortes que resolvem qualquer mistério importante.

Comece a escrever um conto com um relato simples de uma situação, uma pequena história, um fato que você tenha vivido no seu dia a dia. Faça uma organização daquilo que você quer relatar e guarde o clímax para o momento certo. Dê ao leitor o prazer de ler o seu relato. Seja honesto com aquilo que você escreve: não tente forjar situações que o seu personagem não está apto a realizar. O personagem manda na história e por isso mesmo ele tem que ser bem estruturado. No seu conto, o personagem do bem jamais fará um ato do mal a não ser que você o transforme em um assassino ou salafrário. Mas de personagem vou falar depois.

Gostaria de saber como você, que está lendo isso, faz para escrever um conto. Vale tudo. Eu muitas vezes escrevo contos inspirados pelos meus sonhos. Há sonhos que me inspiram e outros que são contos completos. Conta-me o que você está escrevendo atualmente.

Até o próximo com “Como construir um personagem”.

                                                                                                                                                                                      100 

ARTUR LAIZO – Nasceu em Conselheiro Lafaiete, (08/11/1960). Mora em Juiz de Fora onde exerce a profissão de médico, cirurgião geral.

Publicou: Coisas da Noite – poesias (1997); Maloca Querida – crônicas (1998) e
os romances: “É DIFÍCIL MORRER” (1999); “LEMBRANÇAS DO ORIENTE” (2003); “A FESTA
DERRADEIRA” (2013) e “A MANSÃO DO RIO VERMELHO” (2016), OI, TUDO BEM? – (e-book
publicado na Amazon.com.br em 2017), “UM VAMPIRO NOS TRÓPICOS – A MANSÃO DO RIO
VERMELHO II” (2018). É presidente da LIGA DE ESCRITORES, ILUSTRADORES E AUTORES DE
JUIZ DE FORA – LEIAJF. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de
Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete.

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