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Profundo não! Sabe aqueles dias em que você questiona a sua existência? Basta ler cinco minutos.

As palavras que ela escolhe. O modo como ela escreve. Me deixa fascinada.

Mexe de uma forma com os meus sentimentos. Fazendo meus pensamentos fluírem. Um misto de sensações entre o riso e o choro.

A forma como ela abrange o assunto de mulheres na literatura. Em pleno século XIX. Fazendo uma análise o quanto era difícil, vivendo numa  sociedade patriarcal, e machista.

No Livro “Um Teto Todo Seu”, que foi escrito em 1929, ela aborda vários temas envolvendo, mulheres na ficção.

Mas como abordar esse assunto, de que forma? Em qual visão?  Da mulher que lê ou a da mulher que escreve?

O quanto era  necessário ter um lugar calmo, reservado, onde possa praticar o ofício de escrever?

Mas para isso, teria que ter uma independência financeira, o que era impossível naquela época. Já que eram totalmente dependentes de seus pais e maridos.

Como, então, exercer a literatura de forma mais adequada? Para o pensamento fluir, pois sequer tinham a liberdade de pensar.

Em contratempo, os homens tinham toda a liberdade, de escrever e pensar.

Elas eram criadas para servir aos maridos, e educar os filhos. Fora os afazeres domésticos. Como conciliar esses afazeres e ainda escrever, pois não eram incentivadas a tal coisa.

“ De fato, era uma delícia ler a escrita de um homem. Era tão direta, tão franca, em comparação a escrita das mulheres… Indicava tanta liberdade de pensamentos, tanta liberdade de personalidade, tanta confiança em si mesmo… Era possível ter a sensação de bem estar físico na presença daquela mente bem – nutrida, bem – educada, livre, que nunca fora contrariada ou sofrera oposições, e sempre tivera a liberdade desde o nascimento para entender-se em todos os sentidos que quisesse”

Um Teto todo seu.

Virgínia woolf.

Com esse texto ela mostra de forma não ficcional, exemplos através da citação dos seus personagens.

Um desses exemplos, ela chega a questionar, se Shakespeare tivesse tido uma irmã tão talentosa quanto ele, será que saberíamos da sua existência?

Será que ela teria todas as oportunidades para que seu talento fosse ali aflorado ou seria algo totalmente repudiado e desencorajado?

Essa questão que ela levanta nessa passagem do livro é uma crítica.

Pouco sabemos das mulheres das outras épocas, já que as mesmas não tinham vozes.

O modo de como as conhecemos eram descritas pelos homens, através da literatura. Já que eles detinham o poder de descrevê-las, da forma que eles queriam, e nem sempre isso era descrito de uma forma íntegra.

Era difícil, naquela época, achar mulheres falando sobre  outras mulheres. Descrevendo sentimentos que elas tinham pela vida, de uma forma simples e espontânea.

Virgínia Woolf era uma crítica literária. Ela tinha um olhar bem aguçado sobre os textos de outros autores. Fazendo comparações sobre as escritoras daquela época, ela escrevia que Jane Austem era uma, dentre poucas, que descrevia esses sentimentos, livre das amarras do seu tempo. Apesar da Jane Austen esconder seus escritos sempre que alguém chegasse em sua casa, pois ela os escrevia na sala de estar. Esse ofício não era bem aceito naquela época.

Que aliás é abordado em outra parte do livro. Onde ela comenta, que livros com temáticas masculinas, que descreviam a guerra, eram bem mais quistos do que livros que abordavam as temáticas descritas, de uma sala de estar. Por isso a literatura feminina ainda é subestimada. Por descrever  suas vivências (românticas) e não ser uma coisa científica.

Ela também descreve, que é fácil distinguir através do texto, se foi um homem ou uma mulher quem escreveu…

Só um bom escritor ou escritora tem o dom de escrever e não ser identificado, o que ela chama de andrógenos.

Virgínia Woolf era uma mulher muito a frente do seu tempo, vencendo preconceitos, uma incentivadora da literatura feminina.

Clara Magalhães.