catiamourao

  1. Fui criada pelos meus avós maternos e meu sonho, quando criança, era ser bailarina. Ficava encantada com os poemas de Cecília Meireles e não me cansava de recitar os versos: Essa menina, tão pequenina, quer ser bailarina. Não conhece nem dó nem ré, mas sabe ficar na ponta do pé. Não conhece nem mi nem fá, mas inclina o corpo para cá e para lá… lembro todas as estrofes até hoje. Fazia minha tia comprar roupinhas de bailarina e sapatilhas pra mim, e fiquei toda orgulhosa quando finalmente me matricularam em uma escolinha de balé.

 

  1. Curiosamente, nunca pensei em ser escritora até que aconteceu, e quando vi, já tinha me tornado uma. Escrevi minha primeira obra, a novela romântica Elos do Destino, em 1997, mas só em 2013 a carreira de escritora deslanchou, com a publicação do primeiro volume da saga Mais Além da Escuridão.

 

  1. Sempre fui muito ‘certinha’ na escola. Mas, uma vez, uma aluna disse para a professora que eu tinha falado um palavrão na sala de aula e eu fiquei de castigo depois que todos foram embora. Claro que levei uma bronca quando cheguei em casa, porque ninguém acreditou que eu não tinha dito o tal palavrão. Eu realmente não disse e na minha cabeça de criança, me senti injustiçada. Não entendia porque a menina tinha feito aquilo. Naquele tempo, não se falava sobre bullying. Por isso, hoje eu entendo a importância de pais e professores abordarem o assunto com as crianças.

 

  1. Meu processo criativo é bem sistemático. Aliás, eu sou muito sistemática em geral. Sempre faço um roteiro detalhado antes de iniciar a escrita de uma nova obra, isso me ajuda a organizar as ideias e manter os personagens na linha, para chegar ao final que imaginei para a história.

 

  1. Tenho várias manias na hora de escrever: uma delas é que preciso de silêncio absoluto. Talvez, por isso, meu trabalho renda melhor durante as madrugadas. E são muitas madrugadas em claro, na frente do computador, até finalizar um livro. Não escrevo ouvindo música, mas sempre deixo o YouTube logado para pesquisar as músicas que os personagens escutam em determinados trechos dos meus livros. Acho que a música ajuda os leitores a entrarem no clima e vivenciarem as mesmas emoções dos personagens.

 

  1. Costumo travar conversas com os personagens quando desligo o PC e vou dormir. Eu paro de escrever, mas eles continuam dialogando na minha cabeça, dando andamento ao texto. Muitas vezes, sou obrigada a me levantar e voltar à escrita. Por isso, quando estou trabalhando em um livro novo, sempre deixo um caderno ao alcance das mãos, ao lado da cama. Já escrevi no escuro, com uma letra que achei que nem eu entenderia no dia seguinte, mas acaba funcionando melhor do que levantar cheia de sono. Isso acontece muito quando estou trabalhando em um volume da série Mais Além da Escuridão. Donovan, o personagem central da saga, é mestre em falar na minha cabeça quando estou no banho, por exemplo, e eu discuto com ele em voz alta. Chega a ser engraçado, porque parece que realmente tem alguém comigo no banheiro ou no quarto.

 

  1. Sou uma escritora eclética, não me prendo a um gênero. Escrevo um pouco de tudo que eu mesma gosto de ler e esse processo coincide com as fases da minha vida. E assim surgiram: Elos do Destino, que é um texto de dramaturgia; a série MADE, que é literatura fantástica; o Contos e poemas góticos de Carlie Marie; A Sociedade Secreta, que é uma série de novelas eróticas; e estou trabalhando em O Conde, meu primeiro romance de época, uma história ambientada em 1824, na Rússia Imperial.

 

  1. Quando comecei a escrever Entre Nós, o primeiro volume de MADE, ele não tinha título e foi assim até a última linha da última página. Durante todo o processo de escrita ele teve o título provisório de O Livro de Carlie. Só depois de pronto é que a série ganhou o nome de Mais Além da Escuridão e o volume 1 recebeu o título de Entre Nós.

 

  1. Quando quero me desligar de tudo, viajo. Adoro viajar, nem que seja só para pegar a estrada e ver um pouco de verde. Sinto falta do contato com a natureza, que por conta do dia a dia agitado que tenho à frente da Ler Editorial, se tornou muito raro. Então, sempre que posso, dou minhas escapadinhas. Mas raramente aviso ou posto alguma coisa em relação a isso. A ideia é desligar por completo, inclusive das redes sociais. Agora vocês já sabem o que acontece quando eu dou aquelas sumidas por 2 ou 3 dias.

 

  1. Amo chocolate com Coca-Cola! Não ligo muito para moda, mas não me contenho diante de uma bolsa linda. Gosto da minha casa sempre organizada. Sou fumante e por causa disso estou sempre em busca de coisinhas que deixam os ambientes perfumados, sejam em forma de aromatizantes, sprays ou qualquer outra coisa.

 

  1. Sou libriana, obstinada e ansiosa. Por vezes, chego a ser teimosa, mas quando acredito em algo ninguém me detém. Não ligo para futebol, adoro (bons) filmes e noticiários (inteligentes). Meu número de sorte é o 3 (coincidentemente, o número da santíssima trindade) e seus múltiplos, culminando no 15. Quem me conhece intimamente sabe que uso o 3 para tudo em minha vida. Já tive várias religiões, hoje acredito em um ser supremo que não está nem aí para o fato de usarmos uma saia curta ou bebermos um copo de cerveja, mas se importa e muito com o que se passa em nossos corações e nossas mentes.

 

  1. Nas bienais da vida, é muito comum você me encontrar usando uma confortável sandália Havaianas. Morro de invejo daquelas autoras que chegam toda produzida e conseguem se manter assim por horas, após suas sessões de autógrafo. Eu, infelizmente, não consigo. O movimento no estande da Ler é sempre intenso, tenho que dar atenção aos leitores e aos autores que estão expondo seus livros conosco, ando quilômetros dentro do pavilhão, pra lá e pra cá, participo de reuniões e encontros com outros editores e, não raro, caminho com algum leitor apaixonado ao meu lado, esperando uma chance para eu autografar o livro dele. Os amigos do meio literário já se acostumaram e ninguém estranha mais quando peço para não fotografarem meus pés.