por Roberta Costa

Você já ouviu o termo “Biblioterapia”? A palavra vem do grego: Bíblion (livro) e Terapéia (Terapia) e consiste na busca pelo restabelecimento da saúde psíquica através da leitura. Vale ressaltar aqui que ela também é utilizada como como método facilitador do desenvolvimento pessoal. A proposta científica foi organizada pela pesquisadora americana Caroline Shrodes, em 1943, e alia leitura e psicanálise. Mesmo pouco divulgada no Brasil, é bastante difundida na Europa e nos Estados Unidos.

Além da leitura propriamente dita, a técnica inclui pareceres complementares e análise do discurso, propondo práticas que proporcionam interpretação do texto e comentários que trazem sua forma de ver o mundo. Ela também exige acompanhamento terapêutico, que pode ser realizado por psicólogos, psiquiatras, psicoterapeutas ou até mesmo por um bibliotecário com formação terapêutica.

Mas como a técnica funciona?

Durante a leitura do material escolhido, há uma correlação entre a personalidade, a realidade e os problemas do leitor com sua identificação com um dos personagens e/ou com suas histórias, fazendo com que ele acabe por introduzir em seu mundo alguns aspectos dessas narrativas. Isso fará o leitor (re)conhecer suas emoções e emoções parecidas, o conduzindo, mais tarde, para insghts que influenciarão em sua melhora.

Para a escolha do livro, identifica-se a dificuldade pela qual o leitor está passando, levando-se em conta dados como grau de escolaridade, faixa etária e gostos pessoais. Após a leitura vem o diálogo com o profissional para a interpretação do texto e análise do discurso. Esse momento permitirá ao leitor fazer uma analogia dos eventos que se desenrolam na trama com os de sua própria realidade e buscar novas alternativas para a resolução de seus próprios conflitos. Cada etapa do processo pode ser realizada individualmente ou em grupo.

A Biblioterapia pode contemplar instituições escolares, hospitalares e até mesmo o âmbito social, não há restrições de idade para os participantes.

A leitura com a função de cura proporciona uma melhoria na qualidade de vida das pessoas. Em hospitais, por exemplo, principalmente nos casos de pacientes que precisam passar longos períodos internados, ela funciona tanto como atividade de lazer, aliviando a tensão do ambiente, quanto forma de conhecimento e atualização. Em relação ao contexto social, é possível mostrar sua utilidade em situações como reabilitação de detentos e jovens infratores, em orfanatos auxiliando crianças a superarem possíveis traumas emocionais, e em várias outras situações.

Em 2006 foi fundada a Sociedade Brasileira de Biblioterapia Clínica, que busca formar profissionais específicos, com conhecimento em diversas áreas ligadas ao tema, para que possam exercer a função. Assim como desenvolver pesquisas e ações voltadas para a técnica, agregando conceitos das áreas médicas e educacionais.

Você ainda tem dúvidas do quão benéfica a leitura é para a saúde?

*Biografia:

Roberta Costa

Roberta Costa é psicóloga e cursa Letras. Nas horas vagas atua também como revisora. Manauara, mora na capital do Amazonas com sua filha. Viu na Literatura uma porta de entrada para novos mundos, novas vivências e, principalmente, novas amizades.