por Alice Maulaz.

Eu estava assistindo um desses filmes de Hollywood no último final de semana e uma das personagens principais insistia em reclamar sobre como o marido dela não a completava, falando em um tom triste do quão vazio era seu coração por não ter a parte que estava faltando. É difícil ver o quanto somos expostos o tempo todo ao pensamento de que o outro nos fará feliz e que todo dia deverá ser feliz assim por natureza, o que é, humanamente, impossível manter o padrão “Feliz para sempre”.

Essa mesma perspectiva acaba gerando um outro equívoco que já ocorreu com você ou alguém que você conhece alguma vez na vida: Depositamos a expectativa de nos preencher no outro quando, na verdade, este espaço deve ser preenchido por nós mesmos. Afinal de contas, como outra pessoa pode te completar se nem ao menos você sabe como se completar com o que está faltando? Lembro-me de uma coach de relacionamentos falando sobre isso de uma maneira única: “É como se você pegasse todas as expectativas, desejos e frustações que você possui, embrulhasse em um presente e entregasse para quem você ama e dissesse: Pronto. Faça-me feliz”.

Então, para estarmos devidamente preparados para amar o outro em algum momento, é sim necessário amar a si mesmo. Uma pessoa deveria existir na nossa vida amorosa para nos transbordar e não completar pedaços que estão faltando. Ninguém deve ser parte de remendos no coração do outro e se alguém te oferece só isso, não é o que você merece ao menos que seja isso que você deseje.O livre-arbítrio existe e permanece.

Sempre quando falo de amor-próprio eu cito o livro da Shonda Rhimes :“O ano em que disse sim. Como dançar, ficar ao sol e ser sua própria pessoa’’ porque é um exemplo como podemos viver experiência novas, nos permitirmos sem abrir mão de sermos quem somos. Amar pode também significar ceder, mas não somente ceder. É também entender seus limites e se vale a pena ou não investirmos nosso tempo e consequentemente, nossos sentimentos em alguém ou algo que não compreenda a importância desta conversa porque como já dizia Caio Fernando Abreu: “Me cobrou um amor, que no momento eu só posso sentir por mim… Meu amor próprio, é tão grande que não cabe você!”.

Desde o momento que você entende o quão incrível você é, você passa a entender que o amor que você merece não é o que você espera que te complete, mas o que te transborda. Mais do que isso, precisamos ser esse amor para nós e para os outros e assim posteriormente, decidir que caminho seguir.

E o amor… O amor é lindo! Amor de mãe. De irmão. De amigo . De namoradx  e principalmente, o seu amor por você. “All we need is love”.

Alice Maulaz é escritora, professora, tradutora e wanderlust. Apaixonada por idiomas e viagens, escreve desde os 10 anos de idade sobre o seu próprio país das maravilhas.