É motivador conhecer e aprender histórias de mulheres que enfrentaram a sociedade e ultrapassaram o seu tempo sendo exemplos de determinação para que a mulher de hoje tenha voz ativa.


Para quem não conhece a história dessa mulher, em uma breve biografia tentarei mostrar que ela merece reconhecimento por todos os seus esforços e escritos que valorizavam a figura feminina como ser humano, assim como do índio e do escravo.


Nísia Floresta, nascida em 1810 no Rio Grande do Norte,  educadora, escritora e por defender principalmente os direitos das mulheres em pleno século XIX, foi considerada a primeira feminista do Brasil. 

Durante sua adolescência e parte da sua juventude residiu em vários estados brasileiros, mudou-se para a Europa e faleceu em 1885 na França. 
Com ideias inovadoras, foi uma das primeiras mulheres no Brasil a publicar crônicas, poesias e ensaios em jornais. Publicou em torno de 15 livros – não apenas em português, mas em francês, inglês e italiano. 
Escreveu seu primeiro livro aos 22 anos com o título Direitos das mulheres e Injustiça dos homens, tratando questões polêmicas como os direitos das mulheres à instrução e ao trabalho, enfatizando em seus textos que elas fossem respeitadas e consideradas inteligentes. Sua primeira edição foi publicada em 1833 e inspirou vários autores. Por incansavelmente denunciar o preconceito sofrido pela mulher brasileira, este livro recebeu o título de precursora do feminismo no Brasil e da América Latina, pois não se tem registros de outros textos anteriores com esse tema.
Defendia que para uma sociedade progredir, dependia da educação feminina e escrevia artigos comentando sobre o desenvolvimento intelectual e material de outros países em relação ao Brasil, recebendo diversas críticas pelos seus comentários e comportamento considerados impróprios para época. 

Criou o Colégio Augusto, no Rio de Janeiro, uma escola para meninas, não se intimidando a desmistificar a ideia da superioridade masculina, uma vez que tinha influência e presença constante na imprensa nacional por volta de 1830 usando esse meio para propagação de seus objetivos.
Publicou em 1842 Conselhos à minha filha, em 1853 Opúsculo Humanitário e em 1859 A Mulher. Em 1849 escreveu A Lágrima de um Caeté, um poema que exaltava a valorização do povo indígena e a da natureza, assim como a opressão de um povo vencido pelo branco invasor. 
Em 1855, escreveu Páginas de uma vida obscura, relatando o sofrimento de um escravo trazido da África ainda criança até a sua morte. Nesse texto ela defendeu o tratamento humanitário e se mostrou comovida ao sofrimento dos escravos.
Logo após essa publicação, Nísia viajou para Europa, visitando países como Itália, Portugal, Alemanha, Bélgica, Inglaterra e França. Conheceu autores influentes como Auguste Comte e Victor Hugo e das muitas histórias que viveu nessas viagens surgiram, dedicou parte do seu tempo a tentar desfazer as mentiras acerca do Brasil que na época circulavam pela Europa.   Nísia construiu a história intelectual da mulher brasileira e sem dúvida foi uma das ilustres mulheres brasileiras que engrandeceu a nossa história. Sinto um imenso orgulho em saber que sempre houve e haverá mulheres dispostas a mostrar a verdadeira essência da mulher.

Sobre a autora:

Elza Helena nasceu em Recife/PE. É professora, psicopedagoga e autora de histórias infantis, sendo apaixonada por esse universo encantador em que fluem imaginação e criatividade. Desde 2018 participa de antologias de contos e poesias para crianças.