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Por Humberto Lima 

Ao ler o título dessa matéria, muito provavelmente você pode até pensar que vou discorrer sobre a morte, afinal como escritor apaixonado pelo terror seria o mais óbvio, mas na verdade o que eu quero falar é sobre a morte da carreira de um escritor. Mas como assim? O que um escritor pode fazer para acabar com sua carreira?
Existem várias maneiras de suicídio literário, uma delas é trair os seus leitores.
De que maneira? Simplesmente você é escritor de um gênero e nega este mesmo gênero.
Não vamos citar nomes, mas se escrevo sobre vampiros e faço sucesso com esse segmento, posso até deixar de escrever livros sobre vampiros, porém nunca posso dizer que pessoas que leem livros de vampiros gostam de baixa literatura, até porque toda literatura deve ser respeitada, assim como todos os leitores.
Outra forma de suicídio literário é quando um jovem escritor, para se lançar no mercado, como estratégia de marketing, forja seu próprio sequestro ou morte e depois ressurge como se isso tivesse sido uma pegadinha.
Desculpe. Isso é apenas ridículo!
Leitores não são pessoas idiotas e percebem rapidamente o tipo de embuste que esse tipo de escritor é.
E finalmente o tipo de suicídio literário que mata a carreira de um escritor: vamos falar sobre plágio!
O que é plágio?
Plágio é quando você copia a ideia utilizando exatamente as mesmas palavras de outra pessoa.
Antes de continuar, vamos desmistificar: inspiração, referência, homenagem e plágio.
Quando você se diz inspirado pela obra de “X” autor, você escreve a sua obra dentro do mesmo gênero literário dele, porém sem utilizar nada no que ele escreveu. Por exemplo, se eu me digo inspirado por Stephen King (e eu amo King) escreverei sobre o universo de horror onde descreverei os fatos em detalhes minuciosos, tal qual o Mestre faz.
Quando digo que faço referência a obra, estou falando exatamente sobre algo passado no universo de um escritor, por exemplo Lovecraft. Criaturas, deidades e cenários grandiloquentes são muito característicos dele, como o famoso Cthulhu. Então se faço algo com essa criatura posso dizer que é uma referência ao universo fantástico Lovecraft.
E o que é a homenagem? Quando escrevo um livro com tema de um autor cuja obra já entrou em domínio público (70 anos após a morte do mesmo) ou mesmo vivo, posso afirmar que esse livro é uma homenagem a essa grande pessoa.
Então, em que momento se configura o plágio, que decididamente é a morte da carreira de qualquer escritor?
No momento em que pego frases, trechos, ou mesmo o texto inteiro (ah, sim, e isso vale para música, obras científicas e outros mais) sem citar o autor original atribuindo de maneira criminosa a você mesmo o que outros fizeram.
Nesse momento se configura o plágio, inclusive punível na esfera criminal.
E isso, caros leitores é suicídio literário!
A única coisa que um escritor tem é o seu nome e ele é construído lentamente, passo a passo, tijolo a tijolo com suor, tinta e palavra.
O plágio é a pior forma de um escritor morrer.
R.I.P
“Pensar enlouquece, pense nisso”
                                                                                                                                                                                      
Humberto Lima é professor de Geografia e observador do mundo. Reside em São Paulo, capital WhatsApp Image 2019-02-02 at 18.38.36na região da Zona Leste, tem um filho de 23 anos. Apaixonado por terror em filmes, seriados e livros. Amante de mitologia e estudante em tempo integral com áreas de interesse que abrangem do sobrenatural ao banal, do erudito ao pop. Participa em mais de 25 antologias em editoras diversas.