Por Marta Vasconcelos

A libélula, para muitas culturas, representa renovação. Não faz muito tempo que a minha libélula me encontrou. A vida de escritor, principalmente do iniciante, sofre tantos altos e baixos quanto uma montanha russa e gera tanta ansiedade que poderia te enlouquecer. Se soubesse antes de começar que seria assim, talvez nem tivesse dado o primeiro passo, mas acontecesse que foi o primeiro passo que me encontrou, anos atrás, quando eu nem imaginava o que era ser uma escritora.

A verdade é que hoje em dia é muito difícil um autor sustentar a pose de misterioso, experiente, culto ou intrigantemente charmoso. Mergulhando de cabeça nessa nova fase da minha vida, descobri tantas coisas inusitadas e interessantes sobre o fantástico mundo da escrita quanto coisas desgastantes e desanimadoras. Mas sendo franca, que profissão não é assim? Tudo na vida tem seu lado positivo e negativo, basta descobrir uma maneira melhor de “digerir” as coisas ruins.

Eu, como muitos autores pelo mundo, tenho minhas inseguranças em relação a escrita. Um texto meu nunca será bom o suficiente para dividir com os outros, nunca estará 100% correto e nunca irá agradar todos os gostos. Infelizmente estamos fadados a esta realidade. Encontrar uma casa editorial que esteja comigo e que queira “apostar em mim”, “em nós”, está cada dia mais difícil, e mais uma vez somos arrebatados pelo desânimo.

Por mais que eu pense que tenho potencial, em momentos como este duvido constantemente se um dia terei a inércia necessária para sair do lugar, comparando com o fato de que muitos já conseguiram.

Porém, apesar de tudo, ser escritor não é uma profissão comum. Somo movidos por uma força motriz peculiar que nos persegue mesmo quando já desistimos e essa força está em todo lugar. Está em um livro, em uma propaganda publicitária, em uma música, em um elogio, em um filme, em um momento particular de meditação. Ela – a força − vem com tudo, gela tua barriga, arrepia teus pelos e te tira o sono se for necessário, até o momento em que você consegue tirar tudo que está no peito e traduzir em palavras. Eu chamo essa força motriz de inspiração, de Deus, de Lenda Pessoal* , de destino… São muitos os nomes.

Isso me emociona, me move, me norteia e me faz continuar tentando, produzindo, escrevendo, RENOVANDO, porque eu já admiti e agora não tem mais volta. É isso que sou e é para isso que estou aqui. É preciso coragem pois escrever, muitas vezes, é expor o que somos, o que pensamos ou como agimos em nosso mais íntimo pensamento e que muitas vezes não damos lugar em nossos atos por mera convenção. Mas na escrita somos livres! Verdadeiramente livres!

Será preciso abnegação, pois escrever será sempre um prazer, mas comprometimento é necessário, assim como periodicidade. Não existe sucesso sem esforço. Será preciso apoio, pois a entrega nos tira do eixo e você vai precisar de pessoas que te lembrem de quem você é. Será preciso também alguns pratos e copos de vidro para quebra-los em momentos de frustração (que não serão poucos, isso eu te garanto) pois ela será o pior veneno.

Um bom escritor tem olhos atentos para a beleza do implícito, pois se fosse para simplesmente descrever que o preto é preto e o branco é branco não haveria mérito na subjetividade.

Espero, com tudo aquilo que me compõe, que um dia eu possa arrancar lágrimas, suspiros, gritos de excitação e de raiva como um dia me foram arrancados com palavras de alguns livros e que assim eu finalmente sinta que sou apenas instrumento de algo muito maior e que a renovação me encontrou no bater das asas de uma libélula.

* Lenda Pessoal faz referência ao livro O Alquimista de Paulo Coelho.

Marta Vasconcelos é formada em Controle de Tráfego Aéreo. Fez o curso Escritor Profissional pelo Carreira Literária onde publicou pela Oito de Meio sua primeira antologia “Museu de Memórias” contribuindo com o conto “Deixe Partir”. Foi aprovada
no concurso da Rico Editora para a antologia “Resilientes, Um Manifesto Contra a LGBTQfobia” com o conto “Essência”. Também neste ano, foi aprovada para a antologia Empodere-se da Editora Qualis que será publicado na bienal do Rio, onde
também lançará seu primeiro romance histórico “A Trança” pela Rico Editora. Atua com regularidade em suas mídias sociais, principalmente no Instagram,
compartilhando suas produções, leituras, dificuldades e expectativas, aproximando-se,
desta forma, do seu público leitor.
Participa de eventos mensais do Jampa Literário (João Pessoa/PB) junto com outras autoras e dezenas de leitoras onde divulgam e discutem suas atuais leituras.
Atualmente dedica-se inteiramente à carreira de escritora.

Instagram: @sou_martavasconcelosFanpage: Marta Vasconcelo