“O historiador e o poeta não se distinguem um do outro pelo fato de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso. Diferem entre si, porque um escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter acontecido.”


– Aristóteles


por Humberto Lima

Qual a matéria prima da escrita? Muita gente acredita que o escritor tenha cartas na manga e acham que escrever é algo dificílimo, sendo que a escrita é a coisa mais fácil que existe (e a mais difícil também). Contraditório? É. Eu sei.

Escrever é fácil. Sendo alfabetizado, você escreve. Escrever bem é mais complexo, envolve o conhecimento da norma culta e dezenas de regrinhas que não estou a fim de discutir.

Thoth é considerado o Deus egípcio da Sabedoria e dele advém nossa capacidade de pensar, raciocinar. Ele criou os hieróglifos e ensinava a escrita para os sacerdotes e posteriormente a população acabou aprendendo os segredos da palavra. Thoth ainda nos inspira em seus segredos e mistérios e escrever é um mistério! Uma série de sinais que significam sons, mas vai além disso, um escritor escolhe as palavras. Ele as torce e as faz dançar de acordo com o efeito que quer causar no leitor,

Difícil? Pra caralho! Fácil? Muito!

A matéria do prima da palavra é o Caos que habita dentro do escritor, em busca de alguma paz ele passa para o papel os pensamentos que borbulham sem parar em sua mente. Tudo inspira.

Uma música, uma palavra, um olhar.

Escrever envolve hábito! Você não consegue escrever sem lapidar o que escreveu, sem pensar e repensar. O artista (seja de qual for sua área) é um ser incompleto. Ele sempre olha sua obra e a vê inacabada.

É uma desgraça reler o que escreveu, revisar. A cada vez que relemos, reescrevemos trechos, ficamos mais frustrados e confusos se precisamos rescrever tudo!

Talvez por isso tantos escritores, cantores, pintores e etc, terminavam viciados, miseráveis e loucos. Não acreditamos que o que fizemos é bom, nos sentimos uma farsa, sempre prontos a sermos desmascarados, mas sorrimos o sorriso cínico e dolorido refletindo de maneira torta os sorrisos de quem amam o que escrevemos de maneira sincera.

Nos surpreendemos quando percebemos que consideram bom, aquelas garatujas que achamos tão simplórias frente aos monstros da literatura que com a absoluta certeza se acham simplórios frente aos primeiros latinos.

Escrever é dor e prazer. É chorar de raiva enquanto as palavras valsam na sua frente e você não consegue agarra-las. É rir daquela frase perfeita que tu escreveu enquanto te olham como um louco nas ruas.

Escrever é amar e odiar,

Outra coisa que envolve a escrita, e isso é vital: imaginação! Se tu não imagina, não escreve. Escrever é antever a realidade e criar mundos loucos dentro de você. Escrever é deixar um pedaço seu impresso no papel quase como um pedaço de pele que se descola de uma ferida imaginaria.

Ou não.

“pensar enlouquece, pense nisso”

Sobre o autor:

Humberto Lima é professor de Geografia e observador do mundo. Reside em São Paulo, capital 
na região da Zona Leste, tem um filho de 23 anos. Apaixonado por terror em filmes, seriados e livros. Amante de mitologia e estudante em tempo integral com áreas de interesse que abrangem do sobrenatural ao banal, do erudito ao pop. Participa em mais de 25 antologias em editoras diversas.