roberta

Por Roberta Costa

Vivemos em um cotidiano em que a pressão social torna-se cada vez maior. Nosso fazer e nosso pensar estão sempre submetidos a diversos olhares, inclusive os nossos, fazendo-nos muitas vezes buscar uma forma de viver que não condiz com o que realmente queremos ou precisamos.

Tal cobrança, não poucas vezes, acaba por nos adoecer. Não apenas o corpo, mas a alma. Não é à toa que tanto a depressão quanto a ansiedade são vistas como o mal do século, podendo se manifestar separadas ou em comorbidade. Entra aqui um ponto que dificulta de forma inenarrável seu tratamento: o preconceito. Se procuramos um especialista quando sentimos algo de errado em nosso corpo, por que nesses casos é tão difícil fazer o mesmo? Justamente por estigmas como “é falta de Deus”, “é frescura”, “só quer chamar a atenção”, “é coisa de rico”, dentre tantos outros. Li uma frase nas redes sociais que resume muito bem essa situação: “A depressão só é vista como doença quando a pessoa se mata. Enquanto ela está sofrendo, é só frescura e ingratidão.”. Sim, é essa nossa realidade. É preciso colocar a empatia em prática e não menosprezar o sofrimento alheio. Mostrar disponibilidade para fazer companhia, para uma conversa. Se não souber o que falar, apenas ouça, sem julgamentos. Uma mão estendida pode fazer uma diferença enorme na vida de alguém.

E precisamos ficar atentos, nem sempre a pessoa que sofre de depressão e/ou ansiedade é aquela mais calada e introspectiva. Às vezes o medo de que alguém descubra sua real situação é tão grande que a faz esconder-se atrás de um sorriso, de uma máscara de felicidade.

É necessário debater sobre o tema, apenas assim mudaremos o cenário atual. Depressão e ansiedade não significam vergonha, muito menos fraqueza. Procure alguém de confiança, conte o que está sentindo. Você não está sozinho.

CVV – Centro de Valorização da Vida

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Roberta Costa é psicóloga e cursa Letras. Nas horas vagas atua também como revisora. Manauara, mora na capital do Amazonas com sua filha. Viu na Literatura uma porta de entrada para novos mundos, novas vivências e, principalmente, novas amizades.