por Artur Laizo

O personagem do conto, do livro, da novela, tem que ser uma figura que se sobressaia, afinal é sobre ele que está se escrevendo alguma coisa. A não ser que se relate a vida pacata e quase sem vida de um personagem apagadíssimo – e ainda assim o autor tem que saber como criar esse relato para que o leitor tenha interesse na história -, o personagem tem que ter uma personalidade. É necessário que ele tenha qualquer coisa que cative aquele leitor a quem ele é destinado.

Protagonistas e os coadjuvantes são os pilares de qualquer história. Os protagonistas nem sempre são os mais bonitos, ou os mais espertos, mas retêm sobre si a maior atenção.

O personagem central da história é o ponto forte do enredo. Há personagens coadjuvantes que vão aparecer para trazer uma correspondência, ou um copo d’água e nunca mais voltarão a cena.

A importância de criar personagens cativantes é muito grande e eu apresento dez técnicas infalíveis você construi-los:

1 – Descrever a origem do personagem: Muito importante que haja um local de origem do personagem, a não ser que a história peça que ele não seja de lugar nenhum. Como ele vivia antes de aparecer na história? Correlacionar uma vida familiar anterior ao momento atual e a condição financeira e estabilidade da vida pregressa. É importante que no relato atual citar a vida pregressa? Isso ajudou ou não a construir a personalidade atual?

2 – Personalidade: Uma personalidade forte faz o personagem se sobressair. Ele é bom, ou é extremamente mal? Ele é dominador, envolvente? Aquele personagem insosso e sem dinamismo vai ter que sofrer uma história envolvente para atrair o leitor.

3 – Nome do personagem: Nomes forte para personagens fortes e que se sobressaem. O nome bem escolhido vai despertar interesse e paixão no leitor, vai fazer com que ele se lembre sempre desse personagem não importa quando tenha lido.

4 – Características: As características comuns devem ser citadas. As características incomuns, especiais, devem ser ressaltada pois darão um interesse diferente ao personagem: jeito de andar, de falar, gestos e posições do corpo, objetos pessoais, cheiro.

5 – Aspectos físicos: Cor da pele, dos cabelos e olhos, altura, estatura, gordura e magreza. Elegância, modo de se vestir, modo de falar podem construir um personagem inesquecível. Existem regras para apresentar os aspectos físicos do paciente sem que pareça uma ficha de anamnese médica.

6- Objetivo de vida: Amor? Descobrir o príncipe ou a princesa encantada? Sobreviver até o final da história? Deve-se definir o objetivo do personagem e colocar obstáculos à sua busca. Uma vida fácil e sem barreiras não vai tornar a história interessante.

7- Ele é bom no que faz? Se for um herói precisa ser o melhor, e for em uma comédia, o trapalhão precisa ser o mais engraçado, ou o mais chato, ou o que mais incomoda. O vilão tem que ser extraordinário – há vilões que são a nossa paixão em algumas histórias. Tem sempre que ter algo que sobressaia.

8- Ele mora onde? Uma casa, um apartamento, uma gruta? Localizar o personagem em um ponto de referência é importante. Uma casa da vida passada pode definir a personalidade atual.

9- Medos, fraquezas: Todo herói tem um ponto de fraqueza, de possibilidade de ser impedido de continuar o que faz. Defeitos e falhas deixam os personagens mais realistas, mas é preciso justificar esses defeitos.

10- Seja criativo: Personagens de fantasia – dê largas à imaginação. O personagem pode ser um ser humano super dotado a um caroço de feijão que fala. Nem sempre o personagem é uma pessoa, nem sempre um animal, pode ser uma coisa. Enfim, abuse no processo criativo do personagem.

O personagem principal da sua história é o mais importante da trama. Há situações em que ele morre no início – Vadinho de “D. Flor e seus dois maridos” -, em que ele sofre o tempo todo – Scarlet Ohara de “O vento levou” -, ele é mal, ladrão, assassino, ou extremamente bom. Interessa muito como criar esse personagem, como apresenta-lo e como cativar o público que vai ler e amar, ou odiar, ou lembrar o resto da vida. O importante é acreditar que o personagem vai mandar na história e algumas vezes ele vai sair do livro e conviver com você.

Biografia:

ARTUR LAIZO – Nasceu em Conselheiro Lafaiete, (08/11/1960). Mora em Juiz de Fora onde exerce a profissão de médico, cirurgião geral.

Publicou: Coisas da Noite – poesias (1997); Maloca Querida – crônicas (1998) e os romances: “É DIFÍCIL MORRER” (1999); “LEMBRANÇAS DO ORIENTE” (2003); “A FESTA DERRADEIRA” (2013) e “A MANSÃO DO RIO VERMELHO” (2016), OI, TUDO BEM? – (e-book publicado na Amazon.com.br em 2017), “UM VAMPIRO NOS TRÓPICOS – A MANSÃO DO RIO VERMELHO II” (2018).

É presidente da LIGA DE ESCRITORES, ILUSTRADORES E AUTORES DE
JUIZ DE FORA – LEIAJF. É membro da Academia Juiz-forana de Letras e da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete.

Contatos: Facebook: https://www.facebook.com/arturlaizoescritor/
Blog: http://paodecanelaeprosa.com.br/
Instagram: @artur_laizo_escritor