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Apesar de não nos terem dito isso na escola, nem só de homens brancos e heterossexuais é feita a história da literatura brasileira. Muito pelo contrário, quem conseguiu se destacar com sua produção acabou tendo características que fugissem a regra social abafadas na construção histórica.  O caso clássico é do nosso maior escritor Machado de Assis, que teve sua imagem embranquecida. Na área das afetividades, autores importantes para nossas letras também tiveram sua sexualidade escondida nos livros didáticos. Como a gente não quer deixar ninguém no armário, valorizando a diversidade sempre e os afetos, fizemos essa lista com grandes escritores não-héteros da literatura brasileira.

 

1. Álvares de Azevedo

Começando lá no século XIX, Álvares de Azevedo pertenceu a segunda geração romântica, sendo um importante contista, dramaturgo, poeta e ensaísta. Morreu antes de completar vinte e um anos, mas deixou na história clássicos como “Noite na Taverna” e a antologia poética “Lira dos Vinte Anos”. Na sua obra, mergulhava nas dores, ironia e amores impossíveis (quem nunca?). Na carta de despedida, deixou um depoimento lindo para seu amante, chamado Luís.

 

2 – João do Rio

Outra escritor também fundamental na nossa história, mas já no início do século XX. João do Rio foi o pseudônimo de Paulo Barreto, nome que ele usava para escrever suas crônicas sobre as ruas e a vida urbana no Rio de Janeiro na virada dos séculos, no jornal “Gazeta de Notícias”. Seus textos eram polêmicos ao relatar a vida urbana e marginal carioca, bem ao estilo modernista. Membro da Academia Brasileira de Letras, colaborou com vários jornais e traduziu obras de Oscar Wilde (também autor gay). Sua sexualidade foi motivo de perseguição de várias pessoas, como do jornalista e também escritor Humberto de Campos.

 

3 – Mário de Andrade

Figura fundamental do modernismo brasileiro, idealizador da famosa Semana de Arte Moderna. Mário de Andrade foi um importante articulador cultural, atuando como escritor, crítico, folclorista e músico. Suas obras foram pioneiras na poesia e prosa modernista, com obras clássicas como “Macunaína” e “Pauliceia Desvairada”, presentes em qualquer livro de literatura didático que se preze. Tido como discreto e reservado, Mário tinha várias inseguranças em relação a sua sexualidade por medo de perder seu prestígio como intelectual. Em cartas para amigos, como Manuel Bandeira, trazidas à público recentemente, ele deixou claro sua homossexualidade.

 

4. Cassandra Rios

A representante feminina da nossa lista, já apareceu por aqui em nosso levantamento sobre autoras eróticas brasileiras. Cassandra é uma grande best-seller brasileira esquecida pela história. Talvez você não há encontre em seu livro do ensino médio, mas devia. Infelizmente, sua literatura era taxada de obscena e sem qualidade pela intelectualidade. Seu romance de estreia, “A volúpia do pecado”, se tornou a primeira obra brasileira com personagens lésbicas, lançado em plenos anos 1940. Foi também a primeira mulher a vender mais de um milhão de exemplares no Brasil, sucesso absoluto de público. Sua produção foi extensa, deixando mais de 36 títulos publicados.

 

5 – Caio Fernando de Abreu

Pra encerrar, um autor mais recente, mas que já integra sem dúvidas o rol de nossa literatura, Caio Fernando de Abreu, um dos poucos declaradamente gay do cenário. Foi jornalista, dramaturgo e escritor que abordou em suas obras suas questões sexuais e afetivas de maneira visceral. Um das suas obras mais marcantes e conhecidas nesse sentindo é “Morangos Mofados”, que fala também da morte e da solidão. Enfrentou a ditadura civil militar com suas produções, por isso acabou sendo exilado. Ganhou três prêmios Jabutis em sua carreira. Portador de HIV, morreu aos 51 anos, na década de 90, no mesmo dia que Mário de Andrade.